Ética limitava diagnóstico do Alzheimer, diz GE HealthCare – 25/10/2025 – Painel S.A.

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O diagnóstico precoce é uma das ferramentas mais importantes de combate a doenças graves, como o câncer. Mas no caso de enfermidades para as quais ainda não há tratamento, a descoberta prematura pode condenar a pessoa a passar a vida sabendo que tem um problema de saúde sem solução. O diretor-geral da GE HealthCare no Brasil, João Paulo Souza, diz que questões éticas desse tipo limitavam até pouco tempo atrás o desenvolvimento de soluções para detecção de Alzheimer.

Com a aprovação em 2021, nos Estados Unidos, do primeiro medicamento para tratamento da causa da doença e o advento de novos métodos depois disso, a gigante americana de tecnologia em diagnósticos expandiu sua atuação em soluções para distúrbios neurodegenerativos e adquiriu, em 2024, a MIM Software. Neste ano, a companhia anunciou a intenção de compra de outra empresa da área, a Icometrix.

Segundo o executivo da GE, as análises de imagem poderão começar a apoiar futuramente o diagnóstico precoce da doença e, consequentemente, o seu tratamento.

Por que só agora a empresa entrou na área de neurologia?

Na verdade, não foi só agora. A GE vem construindo soluções dentro de casa em neurologia ao longo dos últimos anos. Doenças neurológicas também estão ligadas ao acidente vascular cerebral [AVC] e outras doenças vasculares, que ainda são as que mais matam no mundo. E a GE tem uma tecnologia com inteligência artificial que acelera o processo diagnóstico para resolver o problema do paciente de maneira assertiva e rápida, já que, em doenças vasculares, o tempo é o principal fator a ser atacado para evitar sequelas.

Mas a expansão em diagnóstico do Alzheimer é mais recente.

Essa é outra prateleira da neurologia, onde estão as demências e as doenças neurodegenerativas. Até pouco tempo atrás, não existiam métodos de tratamentos reconhecidos ou validados por órgãos reguladores mundiais. Em 2021, o FDA [agência reguladora de saúde dos EUA] aprovou a primeira droga para tratamento do Alzheimer e vem ano a ano aprovando outros métodos. No Brasil, tivemos neste ano a aprovação pela Anvisa de uma droga chamada Donanemabe.

Então, a GE só expandiu atuação nessa área por causa dos novos tratamentos?

Existia uma questão ética que limitava o diagnóstico desse tipo de doença porque a medicina não era capaz de oferecer um tratamento adequado. Tinha o diagnóstico por imagem para uma fase mais aguda da doença. Mas mais recentemente vieram os estudos com PET-CT, que usa um elemento radioativo para identificar alguma informação que possa fazer sugestão de um avanço desse tipo de doença.

Há soluções para diagnóstico precoce?

A MIM Software, adquirida pela GE, tem uma ferramenta chamada MIM Neuro, que é focada na quantificação de beta-amiloide [proteína que serve de marcador do Alzheimer]. Ela traz uma avaliação mais precoce de uma potencial doença. É a primeira ferramenta do mundo validada pelo FDA capaz de ter esse tipo de informação. Em 2025, a GE veio para um segundo pilar nesse sentido, que é a ressonância magnética. A Ecometrix, que anunciamos intenção de aquisição, tem uma solução de software que faz a avaliação de beta-amiloide por exame de ressonância magnética.

Mas já há tratamento precoce do Alzheimer?

Temos um longo caminho de estudos clínicos, mas existe uma tendência grande de que isso aconteça nos próximos anos. O que começamos a observar agora é que talvez a imagem possa vir também em uma fase mais precoce do diagnóstico, aliada também aos biomarcadores genéticos. Poderemos ter uma combinação de informações genéticas, patológicas e de imagem, que podem suportar um diagnóstico mais fechado em fase precoce.

O sr. mencionou a inteligência artificial no início da entrevista. Quanto ela está presente na medicina hoje?

Costumo dizer que a IA na saúde está como carros elétricos nas ruas. Vemos cada vez mais. Posso dizer que a inteligência artificial está presente em praticamente todas as novas tecnologias desde 2024. Tudo que tem sido fornecido de diagnóstico por imagem, seja para a saúde suplementar ou para a saúde pública, provavelmente tem algum tipo de tecnologia de IA auxiliando médicos e operadores na execução do exame.

De que forma a IA é utilizada nesse contexto?

Desde o preparo do paciente, posicionamento, seleção de tipo de protocolo até análise das imagens com segmentação automática de lesões, planejamento estruturado de inserção de stents ou até mesmo como suporte no diagnóstico. Na tomografia computadorizada, utiliza-se inteligência artificial para poder reduzir dose ou injeção de contraste. Na ressonância magnética, vários players de mercado utilizam inteligência artificial para poder diminuir o tempo de exame. Isso sem citar outras frentes como o próprio PET-CT, que utiliza a IA para reduzir a injeção de elemento radioativo no corpo do paciente.


RAIO-X

João Paulo Souza, 36

1989, São Paulo


Graduado em Engenharia da Computação, possui pós-graduação em Gestão de Negócios e Marketing pela ESPM e MBA pela Universidade de Manchester, no Reino Unido. É membro do Comitê Estratégico de CEOs da Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil). Com passagens por Canon e Siemens, está na GE HealthCare desde 2021 e assumiu a liderança da empresa no Brasil em outubro de 2024.


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Fonte: Folha de São Paulo


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