Investimento: olhar média dos retornos á armadilha – 07/11/2025 – De Grão em Grão

[ad_1]

Imagine um voo de São Paulo a Nova York em que o piloto anuncia: “A altitude média será de 10 mil metros”. Parece seguro e confortável, até descobrirmos que, durante o trajeto, o avião alternou entre 20 mil e 2.000 metros de altitude. O passageiro pode até chegar ao destino, mas certamente viverá momentos de pânico. Nos investimentos, a “altitude média” é o retorno anualizado, e muitos esquecem que o percurso é repleto de turbulências.

Por exemplo, o S&P500, principal índice de ações dos Estados Unidos, registrou retornos médios anuais expressivos, conforme apresentado na tabela abaixo. Por exemplo, 11,4% em 1 ano, 13,2% em 5 anos e 8,4% em 30 anos. À primeira vista, estes retornos parecem uma estrada segura e previsível. Afinal, quem não gostaria de ganhar mais de 13% ao ano nos últimos cinco anos, o que representou 126% acima do CDI no mesmo período?

Mas o investidor que embarcou nessa jornada teve de suportar quedas superiores a 20% em dois momentos distintos. A média é reconfortante; a realidade, nem tanto.












Retorno anualizado no período S&P500
1 ano 11,4%
2 anos 21,3%
3 anos 18,1%
5 anos 13,2%
10 anos 12,4%
15 anos 12,3%
20 anos 8,8%
30 anos 8,4%

As médias são uma ferramenta útil para comparar ativos, mas perigosas quando tomadas como promessa de estabilidade. Elas mostram o destino, não o caminho —e é nesse trajeto que mora o risco.

Como lembrava Montaigne, “nada é mais enganador que a certeza”. A ilusão de estabilidade é o erro recorrente de quem observa médias e esquece a instabilidade que as formou. Essa confusão se agrava porque muitas vezes o investidor é exposto a tabelas que mostram retornos agregados ou anuais sem revelar o que aconteceu no meio do caminho. Diante desses números sedutores, a decisão de investir parece simples — quando, na verdade, está repleta de riscos invisíveis.

Ao olhar o gráfico de 30 anos do S&P500, é fácil acreditar que ele sobe de forma quase constante. Mas cada linha suave esconde períodos em que o mundo parecia desabar: o colapso da bolha da internet em 2000, a crise financeira de 2008 e a pandemia de 2020. Em todos esses momentos, o investidor precisou suportar fortes quedas antes de voltar a respirar ar puro.

O mesmo erro se repete em qualquer ativo de risco, como ações, commodities como ouro ou de criptoativos. O retorno médio de longo prazo é uma simplificação confortável, mas perigosa. Ele elimina o componente essencial do risco: o tempo e a variabilidade. Ignorar o percurso é como avaliar uma corrida apenas pela distância final, sem considerar quantas vezes o corredor tropeçou ou perdeu o fôlego.

O investidor tende a superestimar a alegria do ganho e subestimar a dor da perda. Quando as quedas acontecem, a teoria se desfaz na prática — e o que parecia um voo tranquilo vira um teste emocional. O retorno de longo prazo só recompensa quem resiste às oscilações de curto prazo.

A verdadeira avaliação de um investimento não está na média, mas na capacidade de o investidor suportar o caminho que leva até ela. Portanto, entender dos riscos e oscilações a serem enfrentados pelo caminho. O retorno de longo prazo só recompensa quem resiste às oscilações de curto prazo. No fim, não é a média que determina o sucesso, mas a disposição para atravessar os vales entre os picos.

Em finanças, a média é o retrato do passado; o risco é a história que ainda será escrita. E é nessa parte do enredo que se descobre quem realmente tem estômago para chegar ao fim.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



[ad_2]

Fonte: Folha de São Paulo


Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *