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Patricia Lima, fundadora e idealizadora da Simple Organic, concluiu nesta semana a venda de suas ações para o grupo Hypera, que já tinha, desde 2021, 71,53% do capital social da empresa de clean beauty (cosméticos com fórmulas mais naturais). Encerrado o período de transição, ela quer tocar novos projetos e ajudar outras empreendedoras em suas empreitadas pelo mundo dos negócios.
Um desses projetos é um fundo de investimento com uma tese própria e menos engessado do que as avaliações tradicionais de aporte.
“É um formato de negócio em que eu acredito muito, focado em mulheres, na parte criativa e de impacto positivo. Muitas vezes, a avaliação dos fundos é padrão. O negócio pode não ter os números [desejados], mas você sabe que aquele empreendedor pode acontecer se tiver investimento.”
Em outra frente, Lima está montando um hub internacional para marcas brasileiras se apresentarem em grupo, aproveitando a percepção de que a beleza brasileira vive um momento de alta. “A gente não vê acontecendo, porque é muito caro, muitas marcas são independentes, não é fácil. Mas a gente vê as outras nacionalidades fazendo, como a beleza coreana”, afirma.
Para ela, o bom relacionamento entre as diversas marcas nacionais ajuda na empreitada. “Vou aproveitar essas relações todas que eu tenho e tudo que aprendi, que aprendemos juntos, para montar esse movimento de levar para fora, gerar negócios”, diz.
O trabalho prevê a construção de marca por meio da presença em feiras e em pontos de varejo temporários. Lima prevê o lançamento do hub até o fim de janeiro do próximo ano.
Perto do Carnaval de 2026, outro projeto, de bebidas associadas ao bem-estar e saúde (o segmento wellness), também terá a empresária como cofundadora. Mas ela não quis revelar ainda o nome do novo negócio nem dar mais detalhes.
Venda para a Hypera
A aquisição da Simple Organic pela Hypera garantiu à empresa um crescimento mais robusto e condições de ampliar o portfolio de produtos, que passou a ter uma linha com preços mais acessíveis, além da inclusão de suplementos e produtos infantis.
Em 2021, a marca registrou crescimento de 300% em relação ao ano anterior. Mas, segundo Lima, a partir desse momento a empresa estagnou. Tinha expandido rapidamente, mas não havia dinheiro para manter o ritmo, já que o mercado sustentável era muito mais caro. À época, a fundadora recebeu 16 propostas. Ela decidiu fechar com a Hypera.
A conclusão do negócio na última semana, com a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), é comemorada pela fundadora da Simple Organic. Para ela, representou a fusão dos DNAs das empresas e a garantia de que a marca continuará de pé. “Tivemos tempo de preparar o time para a transição para o corporativo.”
No fim de 2024, a Simple lançou, sob a assinatura da influenciadora Malu Borges, a People Colour, uma marca irmã e na qual Lima trabalhou na criação, a pedido da Hypera –modelo de trabalho consultivo que ela deve continuar fazendo, pois segue ligada ao laboratório, mas fora do dia a dia da marca que fundou.
No Cade, a Hypera informou ter faturado R$ 9,3 bilhões em 2024, e a Simple, R$ 90 milhões. Ao órgão de defesa da concorrência, a farmacêutica disse que a conclusão do negócio permitirá que ela aumente a sinergia das operações e fortaleça seu posicionamento no segmento de clean beauty.
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Fonte: Folha de São Paulo


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