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Apesar do descontentamento do governo dos Estados Unidos com a agenda climática global antes da cúpula COP30, as empresas americanas não se intimidaram.
Uma análise da Reuters sobre listas de participantes mostra que houve 60 representantes de empresas da Fortune 100 no evento no Brasil, ante 50 no ano passado, em Baku, no Azerbaijão. Outros ainda participaram de eventos pré-conferência em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Empresas de tecnologia como Microsoft e Google, a petroleira Occidental Petroleum, a montadora General Motors e o banco Citigroup estavam entre as representadas em uma lista provisória da ONU de participantes da cúpula.
“Não vimos nenhuma mudança perceptível no engajamento das empresas dos EUA na política climática ao longo deste ano. E isso certamente se refletiu no nível de participação”, disse Andrew Wilson, vice-secretário-geral de políticas da Câmara de Comércio Internacional.
“Também estamos observando uma crescente preocupação em toda a indústria com relação aos custos cada vez maiores de eventos climáticos extremos —o que reforça a necessidade de respostas políticas eficazes.”
Os executivos disseram que não achavam que agora fosse um bom momento para se afastarem da discussão climática, visto que o aumento das temperaturas traz ameaças cada vez maiores para fábricas, cadeias de suprimentos e resultados financeiros.
“Estamos fazendo isso porque é bom para os negócios. Ajuda a criar segurança no abastecimento”, disse o diretor de Sustentabilidade da PepsiCo, Jim Andrew, nos bastidores do evento.
“Precisamos que os agricultores tenham sucesso e que continuem a cultivar”, acrescentou. A empresa obtém a maior parte de suas receitas com alimentos.
Darren Woods, presidente-executivo da ExxonMobil, maior empresa petrolífera norte-americana, estava entre os executivos, prefeitos e outros líderes subnacionais dos EUA que participaram dos eventos que antecederam a COP30.
De acordo com Lou Leonard, reitor da Escola de Clima, Meio Ambiente e Sociedade da Universidade Clark, todos esses atores têm um papel importante no futuro da ação climática.
Uma análise recente do Centro para a Sustentabilidade Global (CGS, na sigla em inglês) da Universidade de Maryland mostrou que as políticas existentes, tanto de entidades federais quanto não federais, levariam a uma redução de 35% nas emissões dos EUA até 2035.
Grande parte disso está sendo impulsionado por empresas.
“Apesar das manchetes, o setor privado continua investindo e implementando energia limpa”, disse Gina McCarthy, ex-administradora da Agência de Proteção Ambiental dos EUA e atual copresidente da “America Is All In”, uma coalizão de líderes não federais.
“No ano passado, os empregos em energia limpa nos EUA cresceram três vezes mais rápido do que o restante da força de trabalho do país.”
A COP30, que durou duas semanas, também contou com a participação de muitas empresas americanas de menor porte em setores que devem lucrar com a transição mundial para energia de baixo carbono, inclusive nos mercados de carbono.
“Estar aqui é sobre conectar-se globalmente”, disse Brennan Spellacy, presidente-executivo da plataforma de créditos de carbono Patch. “A maioria das minhas reuniões aqui são com líderes de sustentabilidade e organizações da sociedade civil inglesas, francesas e alemãs.”
ENGAJAMENTO DE EMPRESAS AMERICANAS É CRUCIAL
O presidente dos EUA, Donald Trump, classifica as mudanças climáticas como uma farsa. Mas, independentemente da posição do governo federal dos EUA, as regulamentações estão mudando em todo o mundo para acelerar a transição energética, embora o acordo final da COP30 tenha decepcionado alguns.
“Independentemente do que esteja vindo dos Estados Unidos, em termos de retórica, o mercado está se movimentando e os formuladores de políticas estão reconhecendo a direção que isso está tomando”, disse Jack Hurd, presidente-executivo da Agenda do Sistema Terrestre do Fórum Econômico Mundial e da Aliança para as Florestas Tropicais.
Mais empresas americanas também estão divulgando suas estratégias climáticas, embora a qualidade desses planos em todo o mundo permaneça baixa, segundo dados da plataforma de divulgação CDP.
Independentemente de estarem ou não no evento principal, a presença de empresas dos EUA foi significativa, afirmou Maria Mendiluce, presidente-executiva da We Mean Business Coalition.
Mesmo com instabilidades na política interna, os EUA moldam os mercados, os fluxos de capital e os rumos tecnológicos. Seu engajamento sinaliza aos investidores que a maior economia do mundo entende a importância da transição energética em termos de competitividade, inovação, segurança e cadeia de suprimentos.
“Os EUA têm um papel decisivo nas políticas globais de clima, energia e indústria, portanto, a presença de líderes subnacionais, atores não estatais e empresas na COP30 é importante”, acresentou Mendiluce.
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Fonte: Folha de São Paulo


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