Fundos de pensão vendem ações por temor de bolha da IA – 04/12/2025 – Mercado

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Os fundos de pensão do Reino Unido estão reduzindo sua exposição a ações americanas em meio a preocupações com a crescente concentração do mercado em um pequeno número de ações de tecnologia e o risco de uma bolha no setor de inteligência artificial.

Fundos que administram mais de 200 bilhões de libras em ativos para milhões de poupadores britânicos disseram ao Financial Times que têm realocado seus investimentos para outras regiões no mundo ou adicionado proteção contra uma possível queda nos preços das ações nos últimos meses.

Essas movimentações ocorrem em um momento em que o índice Nasdaq Composite, com forte presença de empresas de tecnologia, subiu mais de 20% este ano —e mais do que dobrou desde 2023—impulsionado pelas chamadas “Sete Magníficas”, como Nvidia, Alphabet e Meta.

Isso alimentou preocupações sobre a crescente concentração do mercado em um pequeno número de ações e o risco de uma bolha que poderia deixar os investidores que estão poupando para a aposentadoria expostos a uma forte queda nos preços.

“Reconhecemos os riscos específicos associados às ações americanas, como as medidas tarifárias e a concentração em grandes empresas de tecnologia”, disse Callum Stewart, chefe de propostas de investimento da Standard Life, parte do Phoenix Group. A empresa administra o fundo Sustainable Multi Asset, de 36 bilhões de libras, que atende a 2 milhões de membros, sendo que aproximadamente 60% de seus ativos de ações estão na América do Norte.

Stewart afirmou que o fundo estava em processo de redução de sua alocação em ações americanas e, em vez disso, aumentando a exposição aos mercados do Reino Unido e da Ásia.

O setor de pensões de contribuição definida do Reino Unido, no qual os funcionários, geralmente com o apoio do empregador, acumulam reservas individuais para a aposentadoria, é especialmente sensível a possíveis oscilações do mercado de ações, porque os poupadores mais jovens costumam ter grandes investimentos em índices americanos, dominados pelas “Sete Magníficas”.

Quem está a 30 anos da aposentadoria normalmente tem de 70 a 80% —ou até mesmo 100%— de seus ativos em ações globais, com a maior parte da alocação em ações dominada pelas grandes empresas de tecnologia norte-americanas.

O Aon Master Trust, um fundo de investimento de 12 bilhões de libras com 185 mil membros, vendeu cerca de 10% (aproximadamente 700 milhões de libras), de seu portfólio global de ações durante o verão, sendo grande parte em ações americanas.

Desde sua criação, há uma década, o fundo investe 100% das economias de seus membros em ações durante os estágios iniciais de seus planos.

Jo Sharples, diretora de investimentos, afirmou que o fundo reduziu sua alocação em ações “para aproveitar uma oportunidade no mercado de títulos públicos”, mas acrescentou que “com toda a conversa sobre uma bolha da IA, reduzir nossa exposição a ações diminuiu um pouco esses riscos”.

Essas medidas ocorrem em um momento em que instituições globais alertam que os mercados de ações estão cada vez mais suscetíveis a uma correção acentuada, especialmente devido ao domínio de um pequeno número de ações.

O Banco Central Europeu afirmou na semana passada que as avaliações das ações de empresas de tecnologia americanas estavam “esticadas”, pois os investidores estavam sendo motivados pelo “medo de ficar de fora”.

O Banco da Inglaterra e o FMI emitiram recentemente alertas semelhantes, destacando que as altas avaliações das ações de IA deixam os portfólios especialmente vulneráveis caso o otimismo diminua.

No entanto, alguns gestores de fundos de pensão relutam em reduzir suas alocações para as empresas de tecnologia, dado o seu desempenho consistentemente forte e o receio de perderem ganhos ainda maiores.

Apesar de ter um valor de mercado de US$ 4,3 trilhões, a Nvidia aumentou suas vendas de chips ainda mais rápido do que Wall Street esperava no último trimestre, o que demonstra a força do boom global de investimentos em IA. As ações dobraram de valor desde a mínima de abril.

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Fonte: Folha de São Paulo


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