Trabalhadores de app priorizam mais ganhos com corridas – 10/12/2025 – Painel S.A.

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Quase a totalidade dos trabalhadores de plataformas de entrega e transporte afirma que o aumento dos ganhos por corrida é a mudança mais urgente para que a atividade se torne sustentável.

Segundo pesquisa da GigU (plataforma de serviços para trabalhadores de app), em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, 96,4% dos entregadores e motoristas dizem que a melhora na remuneração é essencial para eles considerarem prosseguir na atividade no longo prazo.

Para 75% desses trabalhadores, a redução das taxas cobradas pelas plataformas é igualmente decisivo.

Por outro lado, menos da metade (48,4%) acredita que benefícios como seguro-saúde, previdência ou licença remunerada são importantes para a manutenção da atividade

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a regulamentação do trabalho por aplicativo deve se reunir nesta quarta-feira (10) para votar o parecer do relator do projeto de lei que regula a profissão, o deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). O parlamentar protocolou o relatório na Câmara nesta terça (9).

O texto do relator estipulou um ganho mínimo de R$ 8,50 para distâncias variáveis (2 a 4 km no transporte; 3 a 4 km nas entregas), e fixou um teto de retenção do valor das corridas pelas plataformas de 30% para operadoras de taxa variável e de 15% para modelos híbridos. Aquelas que operam por assinatura fixa, por sua vez, devem repassar integralmente o preço da viagem ao condutor.

Esse ponto do texto especialmente gerou tensão com entidades que representam empresas do setor. Elas dizem que esse tipo de regulação pode gerar encarecimento das corridas.

O relatório também trata de questões sobre condições de trabalho e a vinculação previdenciária. Conforme adiantou o Painel S.A., o recolhimento, que sofria resistência por parte de trabalhadores de app, principalmente aqueles que usam o aplicativo apenas para complemento de renda, deve ser sobre uma fatia menor do que o aventado incialmente.

Antes a proposta era de recolhimento sobre 50% dos ganhos brutos de entregadores e motoristas. Agora, é de 25%. Além disso, o parecer diz que o trabalhador deve contribuir com apena 5% sobre essa fatia de seu ganho bruto. O restante do recolhimento ficará a cargo das empresas.

Transparência

A pesquisa da GigU mostra ainda que, para 57% dos motoristas e entregadores, é preciso mais transparência na relação com as plataformas.

A maioria questiona os mecanismos de bloqueio dos perfis, o critério de nota, variação de ganhos e as regras de repasse. Alguns se queixam da demora do atendimento para suporte, sobretudo aqueles que dependem da renda do aplicativo para manter a situação financeira em dia.

O relatório do deputado Augusto Coutinha também aborda essa questão. Segundo o texto, as companhias deverão dar transparência algorítimica sobre a remuneração, por meio de relatórios detalhados –por serviço e mensais– que discriminem valores pagos, taxas e retenções.

Os critérios que podem levar à punição dos motoristas e entregadores também terão que ser transparentes. O texto prevê o direito de defesa dos trabalhadores antes de suspensões e bloqueios.


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Fonte: Folha de São Paulo


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