Thalita Rebouças: “Não sou velha, estou só começando” – 18/04/2024 – Equilíbrio


Duas décadas separam a Bienal do Livro em que a jornalista e escritora Thalita Rebouças teve que subir em cima de uma cadeira para chamar atenção de leitores e a de 2021, em que foi apelidada de rainha da Bienal. De lá para cá, publicou 26 livros e assinou 12 roteiros de filmes, muitos deles adaptações de seus livros infantojuvenis.

São sucessos de público como “Fala Sério, Mãe!”, seu primeiro best-seller, “Tudo por um Popstar” e “Uma Fada Veio me Visitar”, que já teve duas versões cinematográficas: uma estrelada por Kéfera, outra por Xuxa. Todos com elencos de peso em que as estrelas outrora mirins Larissa Manoela, Maísa Silva e Klara Castanho são recorrentes.

Aos 49 anos e com mais de 2,3 milhões de livros vendidos, Thalita Rebouças lançou “Felicidade Inegociável e Outras Rimas” em São Paulo no dia 11. Em conversa com a Folha, a autora recusa rótulos para suas “riminhas”, como gosta de apresentar seu novo trabalho, idealizado para ser um audiolivro narrado pela autora e lançado com exclusividade na Audible, plataforma da Amazon.

Thalita se põe a rimar, com a leveza e linguagem despojada pela qual ficou conhecida em seus livros, e agora traz temas como a escolha de não ter filhos, a menopausa, o etarismo e os filtros estéticos das redes sociais. Não, não são poesias. “Não vou fazer a mesma coisa que o [Mario] Quintana. Eu acho rima mais leve.”

Leve e fácil de espalhar. Com a marca #mulhermadura, a escritora hoje usa o Instagram para conversar com um público mais diverso, e uma “galera” que inclui pessoas de sua idade, 30, 40, 50 anos ou mais. Uma dessas rimas, em que ressalta as dores e delícias dos 50 anos, chega a 805 mil visualizações.

O privilégio do envelhecimento

“A minha maior vontade agora, no mundo, seria acabar com o fogacho”, brinca Thalita Rebouças, enquanto se abana. A menopausa é um dos temas abordados em “Felicidade Inegociável”, e ela se recusa a romantizá-la: “Eu quero mostrar que dá para ser feliz. Agora comecei a suar e depois para, passou. Não é fácil envelhecer, mas é um privilégio ao mesmo tempo, se a gente for pensar que o outro caminho é bem ruim. Eu prefiro envelhecer”.

Seus desabafos conquistaram novos públicos no ambiente digital, mas ela frisa que isso não foi planejado, como ela também não planejara escrever para adolescentes no início da sua carreira e foi simplesmente abraçada por eles.

“Agora virei uma rima de autoajuda ambulante, aconteceu. Eu fui falando, fazendo”, conta a escritora, que a cada rima se empodera, nos dizeres dos nossos tempos, e também empodera seus pares. “O povo não vai me xingar de velha, velho não é xingamento, sabe? Não vai falar ‘coitadinha, acabou sua vida’ porque estou na menopausa. Não, eu estou só começando”, sentencia.

A primeira rima que Thalita Rebouças criou para o livro foi “É, não sou mãe”. “Durante muito tempo eu tive um aposto: ‘Thalita Rebouças, que não é mãe, lança décimo livro’.” Decisão tomada aos 28 anos, o fato normalmente é lembrado a cada lançamento de sua autoria para o público adolescente, que a acolhe e abraça por entendê-los como poucos.

“Acho que a minha conexão com eles [adolescentes] veio do meu não-julgamento. Não foi por eu não ser mãe, por eu escrever com gírias. Eu falo com eles de igual para igual, não julgo e não fico dando liçãozinha de moral”, teoriza a escritora.

Por meio dos versos, Thalita encontrou uma forma de falar “rapidinho, em riminha” tudo o que queria dizer para as pessoas. Entre elas, que sua escolha de não ter filhos, uma questão que considera puramente vocacional, não deveria ser lembrada ao noticiar suas conquistas. “Eu fui uma das primeiras a levantar essa bandeira. Quantas mulheres de 30 anos vêm me agradecer, que bom que eu estou falando isso”, diz, e arremata: “Que tempo careta, sabe?”

Ainda assim, seu próximo projeto de escrita é uma não-ficção sobre a adolescência escrita a quatro mãos com o marido, o psicólogo Renato Caminha, para ajudar os pais nessa fase. Nas telonas, está prevista para este ano a estreia de “Traição Entre Amigas”, a adaptação cinematográfica de sua primeira obra, publicada em 2000.

O cineasta Bruno Barreto assina a direção do filme. Filme do livro que não foi planejado para ser sucesso entre adolescentes, mas pavimentou a estrada para Thalita Rebouças de se tornar uma estrela no ramo infantojuvenil. Um belo caminho andado para a autora que, entre fogachos e risadas, está só começando.


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Fonte: Folha de São Paulo

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