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O TJ (Tribunal de Justiça de São Paulo) considerou ilícitas e derrubou as cláusulas de exclusividade da 99Food com restaurantes, em ação judicial movida pela Keeta, controlada pela chinesa Meituan. O aplicativo de delivery deverá iniciar suas operações ainda neste mês no Brasil.
Procurada, a 99 ainda não se manifestou. A medida faz parte de mais um capítulo da “guerra dos apps”, que tem na disputa iFood, Rappi, 99Food e Keeta. A 99Food voltou a operar o serviço de delivery no país em agosto deste ano, após tentativa em 2020.
Começou com entregas em Goiás (GO) e depois em São Paulo (SP). Na última semana, tiveram início as operações em oito cidades do Rio de Janeiro, incluindo a capital, com promoções para entregadores, restaurantes e novos consumidores.
Na ação, a Keeta alega estar sofrendo uma “barreira ilícita para ingresso no mercado de delivery de refeições, imposta pela 99Food, com o objetivo de evitar a livre concorrência”, diz o juiz da sentença Fábio Henrique Prado de Toledo.
A empresa afirma que a 99Food estaria inserindo uma “cláusula de banimento” em contratos firmados com restaurantes “estratégicos”, chamados de âncoras, que são maiores e fazem diferença para o negócio.
Para o juiz, a conduta “é ilícita por violar os princípios constitucionais e legais da concorrência”. “Ao direcionar cláusulas restritivas especificamente contra a autora, a ré viola direito subjetivo desta, qual seja, o direito de competir em condições isonômicas no mercado”, afirma na sentença.
O magistrado diz ainda que o direito de livre concorrência não existe apenas quando a empresa já opera no mercado, mas protege também quando quer ingressar para que possa competir em igualdade de condições.
“A empresa que se prepara para iniciar operações, realizando investimentos e estabelecendo estrutura, possui legítimo interesse jurídico em não ser alvo de práticas discriminatórias que lhe criem barreiras artificiais de entrada.”
Além de declarar as cláusulas de exclusividade como nulas, o juiz concedeu a tutela de urgênciap ara que as medidas deixem de valer. Também determinou que a 99Food deixa de inserir exclusividade em contratos futuros, sob pena de R$ 100 mil.
Na ação, Keeta alega que a 99Food abordou mais de cem redes de restaurantes no Brasil, oferecendo pelo menos R$ 900 milhões em pagamentos antecipados se assinassem contratos de exclusividade. Esse valor é quase equivalente ao R$ 1 bilhão que a DiDi anunciou para reiniciar as operações, diz a empresa.
“Essas cláusulas não têm outro objetivo senão restringir a concorrência e prejudicar o interesse público”, afirma a Keeta no processo. “Essas cláusulas não estão em conformidade com a lei e as regras de concorrência, como a 99Food alega. São abusivas e anticoncorrenciais, e tentam fechar o mercado para apenas dois concorrentes, limitando a escolha do consumidor e minando os princípios de um mercado livre e justo.”
A empresa se comprometeu a investir R$ 5,6 bilhões no Brasil em encontro entre Brasil e China neste ano.
O início das operações em cidades brasileiras faz parte das expansões da chinesa DiDi —dona da 99— no Brasil. A empresa planeja investir R$ 350 milhões para voltar ao mercado de delivery. O total investido chegará a R$ 2 bilhões até junho de 2026, estima o aplicativo.
Já o Food anunciou investimentos de R$ 17 bilhões nas operações em 2026 e ampliação no número de pedidos para 1 bilhão por ano dentro dos próximos três anos, mas ainda não conseguiu resolver um dos principais problemas que os aplicativos enfrentam no Brasil e no mundo, que é a regulamentação dos entregadores.
O Rappi passou a oferecer taxa zero para restaurantes em maio. A empresa vai investir R$ 1,4 bilhão na tentativa de trazer para o aplicativo pequenos e médios negócios.
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Fonte: Folha de São Paulo


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