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A incorporadora curitibana AG7 é um dos destaques de um ramo do mercado imobiliário que alinha sofisticação e arquitetura arrojada a demandas de saúde, bem-estar e conforto de moradores em construções de altíssimo padrão, o chamado “wellness building” de luxo.
Prestes a anunciar um empreendimento na badalada Balneário Camboriú (SC) e estudando uma expansão para o mercado de São Paulo, Alfredo Gulin Neto, CEO e fundador da AG7, avalia que a companhia passa por um momento desafiador, mas que solidifica uma cultura de abraçar riscos e fugir dos padrões do setor.
Nascido em uma família que opera em diversos segmentos, entre eles o imobiliário, Neto explica que o ponto de partida dos desenhos de projetos da incorporadora passa pelo que é diferencial para o cliente, que provavelmente já tem mais de um imóvel, já passou dos 50 anos de idade e quer desfrutar de um outro tipo de luxo. A meta, diz ele, é criar camadas de bem-estar que adicionam ao que o cliente já conquistou.
Atualmente, a companhia trabalha no lançamento do Ícaro Cassa-Térrea, empreendimento que deve se tornar o mais caro de Curitiba, com valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 600 milhões e plantas que variam de 490 m² a 1.450 m². Serão 36 unidades espalhadas em quatro torres de seis andares cada e mais de 20 mil m² de espaço total.
“Acreditamos que o luxo está ligado à antecipação de desejos. Então, quando você consome luxo, na verdade alguém está resolvendo alguma coisa que talvez você nem saiba que você precisa. Mas depois que você tem ela, você já não consegue viver sem”, diz Neto.
Como surgiu o interesse da AG7 em alinhar bem-estar e construções de alto padrão?
Meu pai é incorporador, cresci em obras. Conforme fui me desenvolvendo, achei que a gente podia fazer projetos diferenciados. E eu tinha um sonho de transformar o mercado através da arquitetura autoral, com serviços, hospitalidade e bem-estar. Acabei tendo a sorte de ter minhas irmãs que acreditaram nesse projeto. Uma é médica e trabalha com bem-estar e a outra trabalha com viagens e hospitalidade. Trabalhei com finanças no mercado financeiro, apesar de ser engenheiro. Acho que essa junção criou uma alquimia em volta da marca da AG7. Com o tempo, mais pessoas foram participando do nosso sonho, do nosso projeto, isso acabou virando um movimento, inspirando outros empreendedores e o mercado em geral. Acreditamos que o luxo está ligado à antecipação de desejos. Então, quando você consome luxo, na verdade alguém está resolvendo alguma coisa que talvez você nem saiba que você precisa. Mas depois que você tem ela, você já não consegue viver sem. Carlos Ferreirinha fala muito bem sobre o paladar que não retrocede. É isso que a gente tem feito.
Qual é o custo de fazer projetos focados no bem-estar? Eles ficam mais caros?
O desenho do projeto aqui na AG7 começa pelo bem-estar. Começamos desenhando o nosso negócio sobre esse prisma, depois a gente vai construindo a torre, a resolver os apartamentos. Os nossos projetos demoram mais para serem desenvolvidos, testamos muito antes com os futuros adquirentes, com os clientes que já são da casa, com os investidores, para ver se os desafios estão sendo vencidos e os caminhos estão sendo bacanas.
Quando a pessoa vai comprar um projeto como esse, ela já tem muitas coisas na vida. Já é uma pessoa estabelecida, mora bem, talvez seja um quarto, quinto imóvel. E essas pessoas conquistaram muitas coisas, elas não querem perdê-las, principalmente na sua vida imobiliária. A nossa barra já começa muito alta. A gente precisa fazer com que isso gere novos layers [camadas] de bem-estar ou de experiências para essa pessoa que sejam maiores do que ela já tem hoje. Não posso fazer com que o meu cliente perca, porque senão ele não vai querer, ele que já mora muito bem. O projeto fica mais complexo, mas depois o resultado final fica espetacular.
Exportar essa ideia para São Paulo e Balneário Camboriú será um desafio ou vocês projetam uma transição tranquila?
Nós somos movidos a desafios, então nada é fácil. Tudo que a gente faz é um trabalho enorme e a gente adora. E, de novo, eu acho que o projeto faz toda a diferença. Gastar tempo na prancheta, para o nível de transformação que a AG7 quer entregar, é primordial. Queremos que os clientes tenham sensações novas, experiências novas, lugares novos. Estou muito feliz porque vamos apresentar para o mundo uma Balneário Camboriú que ninguém conhece, especial, com baixa densidade, praias lindíssimas, bandeira azul, uma natureza exuberante, com barulho de passarinho, que acho que as pessoas não conhecem [será na praia do Estaleirinho]. Acho que vamos conseguir transportar o que fazemos aqui, talvez até melhorar. E para São Paulo vai ser um desafio, é uma cidade mais urbana, mas a gente também sabe fazer projetos altos, dos cinco projetos mais altos da história de Curitiba, dois são da AG7.
Suas irmãs participam do gerenciamento da companhia?
Somos uma empresa de controle familiar com gestão profissional. Temos estruturas de conselho, comitês, de auditoria, de risco, de governança, de gestão de pessoas. Nós temos uma estrutura de diretoria muito robusta e muito empoderada, temos um programa de lideranças nos projetos. Cada SPE [sociedade de propósito específico] é uma empresa. Então, cada projeto tem uma espécie de CEO aqui dentro da AG7. Minhas irmãs já participaram da operação, agora estão no conselho. Então, definitivamente, não toco sozinho, é um time muito multidisciplinar.
Como está organizada a operação e o planejamento da AG7 ano a ano?
Esse ano nós lançamos o equivalente a mais ou menos R$ 700 milhões. Ano que vem devemos lançar entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões. Somos uma empresa que vai continuar lançando de R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão por ano mais ou menos, dividido em três mercados. E aí, se Deus nos der a oportunidade e se os clientes quiserem, vamos para outras praças.
Muitas construtoras avaliam que é melhor seguir em determinada praça por já conhecerem bem o mercado, que expandir é um pouco complicado, ainda mais no mercado de luxo…
É porque estamos focados num segmento de cliente e não em fazer mais construções. É um olhar diferente do que as outras construtoras têm. Para elas crescerem, vão ter que diversificar a prateleira de produtos, vão ter que sair do core e contar novas histórias. Os mercados têm um tamanho, eu não consigo lançar um projeto como esse aqui [o Ícaro Casa-Térrea] todo ano em Curitiba ou vou super ofertar e competir com os meus próprios projetos. Então, para continuarmos crescendo, precisamos de mercados que nos deem oportunidade.
A partir do ano que vem, a maior parte da operação vai ficar aqui, mas também vai para Balneário, estamos adquirindo mais áreas lá e vamos continuar tracionando o mercado para a AG7. Aqui a gente vai continuar tracionando, mas hoje eu tenho um estoque grande lançado. E São Paulo é uma metrópole, é um mercado de maior liquidez, com maior preço, com maior velocidade de vendas, com maior competição e eu acho que a gente vai ter um espaço importante lá.
Como foi entrar no mercado financeiro e depois exercer sua profissão de formação?
O fruto não cai longe do pé, né? Quando eu estava no mercado financeiro, a corretora que eu trabalhava, era um espetáculo, eu trabalhava na mesa de ações, era apaixonado. Acho que poderia ter uma carreira especial lá, mas tive uma oportunidade. Meu pai é a pessoa que eu acho que mais entende de engenharia e incorporação. Na época, em 2011, minha monografia da universidade foi criar um fundo imobiliário, meu pai falou, ‘vamos pegar isso aí e botar de pé’. E a gente montou a AG7 juntos. De um lado tinha essa parte do mercado financeiro imobiliário, e do outro lado essa parte do mercado tijolo, incorporação. Mas a empresa não era nada do que é hoje. A gente foi fazer estúdios, era outro jogo, era uma visão muito mais normal e talvez até menos arriscada, mas no fim do dia a gente tinha um sonho maior.
O sonho do mercado financeiro continua, porque no final do dia, as estruturas que usamos para financiar os projetos, os investidores que nos acompanham, estamos falando sobre números, sobre produtos financeiros com lastro imobiliário. E é engraçado que, ao mesmo tempo que isso aconteceu conosco, esse mercado teve uma pujança enorme, com desenvolvimento dos fundos imobiliários, das securitizações, do mercado de capitais brasileiro em linha geral. Então, hoje eu acredito que essas duas paixões estão bem servidas.
A adrenalina só mudou de lugar?
É. Acho que os projetos imobiliários têm ciclos muito longos. Se a gente ficar muito voltado para o curto prazo, a gente não faz nada. Eu acho que nem fica tanta adrenalina hoje, já é até quase uma paz de espírito.
RAIO-X | Alfredo Gulin Neto, 38
Engenheiro civil formado pela PUC (PR), possui especializações em Harvard e no Insper. Iniciou sua carreira no mercado financeiro como operador de mesa do Banco Fator, passou pela Link Investimentos e cofundou, em 2011, a AG7, na qual é CEO desde 2016
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Fonte: Folha de São Paulo


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