BlackRock se diz preparada para qualquer cenário eleitoral – 16/10/2025 – Mercado

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A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo e que acaba de atingir um recorde de US$ 12,5 trilhões administrados, vê o interesse internacional pelo Brasil crescente mesmo com os ruídos ligados ao cenário fiscal, ao tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump e às eleições de 2026.

Bruno Barino, CEO da BlackRock no Brasil, afirma que a diversificação da carteira mitiga preocupações de curto prazo no país. “A gente tem que estar preparado para todo tipo de demanda, todo tipo de cenário”, diz ao C-Level Entrevista, videocast semanal da Folha, ao ser questionado sobre a corrida presidencial do ano que vem.

A estratégia faz até mesmo o cenário das contas públicas, acompanhado de perto por investidores, ser colocado em perspectiva por ele. “É obviamente um dos principais fatores que a gente tem que acompanhar”, diz. “Agora, tomar a decisão de investimentos com base só nisso está cada dia menos relevante”.

O executivo vê o Brasil como um mercado atrativo, com 200 milhões de consumidores e com um nível de sofisticação financeira que se destaca na na América Latina. “Tem muita oportunidade para a gente aproveitar”, afirma.

Quanto dos recursos globais administrados pela BlackRock são investidos no Brasil?

Atualmente, US$ 40 bilhões, considerando instrumentos de dívida e de equity [compra de participação acionária]. Um investimento que a gente acabou de fazer foi na Clash, uma empresa de inteligência artificial brasileira. A gente acabou de investir US$ 75 milhões [em dívida]. Então, tem muita atividade, tem muita oportunidade acontecendo. No mercado local, a gente apoia clientes brasileiros de todos os segmentos, desde o cliente do varejo, bancos, canais de distribuição, assessores de investimento até os fundos de pensão.

É possível aumentar o volume de investimentos no Brasil?

A gente tem um espaço muito grande para crescer no Brasil. Com o mercado crescendo, tendo mais eventos de liquidez e com o volume de crescimento econômico maior, a nossa chance de capturar mais market share [participação de mercado] cresce.

Olhando para o cenário macroeconômico, temos o Banco Central dos EUA reduzindo juros e o Banco Central com a taxa Selic estacionada em 15% ao ano, mas com perspectiva de cortes um pouco mais à frente. Como isso orienta as escolhas de investimentos de vocês?

A gente tem uma visão um pouco diferente de como construir portfólios de investimento. A nossa tese é de que algumas âncoras macro, como déficit fiscal, juros e câmbio foram se quebrando ao longo do tempo. Então a gente tem que ajudar o cliente a navegar tanto no curto quanto em preparar um portfólio de longo prazo. Quando você começa a fazer isso, fica mais fácil ver que o barulho do curto prazo, de sete dias, é muito maior do que quando você olha para sete meses ou sete anos.

Dentro dessa estratégia de se blindar dos ruídos de curto prazo, qual é o papel desempenhado pelo cenário fiscal?

Ele [fiscal] é essencial porque é um dos definidores de como a gente vê que a economia vai se desenvolver de forma sustentável ao longo do tempo. É um dos principais fatores que a gente tem que acompanhar para entender como a economia vai evoluir. Agora, tomar decisão de investimentos com base só nisso está cada dia menos relevante.

A dinâmica econômica dos países mudou muito. Muitas vezes os reguladores estão tendo que tomar decisão com a informação disponível no momento, que não necessariamente vai se confirmar mais à frente.

O presidente Lula (PT) deve concorrer à eleição. Correm por fora alguns candidatos de direita, e a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) segue indefinida. Como vocês traçam cenários a partir dessa perspectiva eleitoral?

Às vezes considero a posição em que estou até meio privilegiada em relação a isso. Porque nós temos uma base de clientes e uma exposição e uma demanda de produtos muito diversificada. A gente tem que focar em desenvolver o nosso mercado. Procurar desenvolver os pilares básicos da economia: crescimento sustentável, criar as condições para juros mais baixos e fomentar a economia real. No nosso modelo de negócios, a gente tem que estar preparado para todo tipo de demanda, todo tipo de cenário, todo tipo de oportunidade, todo tipo de preocupação.

Como você avalia o apetite dos investidores estrangeiros pelo Brasil atualmente?

Eu vejo bastante interesse. De novo, esquecendo o barulho de curto prazo, o Brasil é um mercado, especialmente quando você coloca em perspectiva os demais países na América Latina, que tem um nível de sofisticação e de profundidade de mercado financeiro muito grande. Acho que tem muita oportunidade para a gente aproveitar tanto do lado de fixed income [renda fixa] quanto do lado de ações.

A gente está vivendo um momento muito favorável para o investimento em infraestrutura. Como vocês veem o Brasil a longo prazo, apesar de uma incerteza em relação à âncora fiscal?

A transição energética é um ponto interessante porque na nossa visão, quando a gente olha em 2023, era um movimento muito pendular, totalmente direcionado para uma transição mais forte. Veio a Guerra da Ucrânia, reforçada pelo movimento de fragmentação geopolítica que a gente tem enfrentado.

A gente vê que os países tiveram que dar um passo atrás, porque a resiliência e a segurança da infraestrutura energética, que é a base de tudo, se tornou mais relevante do que o movimento de transição. [Mas] em termos de energia renovável, o Brasil é um top player [líder] e tem tudo para continuar se desenvolvendo e continuar aproveitando o crescimento de demanda nesse sentido.

O CEO global da BlackRock, Larry Fink, diz que o mundo precisa de US$ 68 trilhões até 2040 em infraestrutura. Quais são os segmentos que mais podem crescer e são mais estratégicos no Brasil?

A gente vê oportunidade em portos, rodovias, hidrovias e na parte de logística como um todo. Data centers e a cadeia inteira de infraestrutura a gente vê muita oportunidade.

Ele também tem se mostrado entusiasta dos investimentos em criptomoedas. Como a BlackRock do Brasil enxerga esse tipo de ativo?

A utilização das criptomoedas é crescente. No final do ano passado, a gente começou a incluir na carteira nossa recomendação para alguns clientes até 2% de alocação no IBIT [ETF que busca refletir o preço da moeda digital bitcoin]. Você tem um crescimento de retorno potencial relevante com um aumento de custo muito pequeno.

Então, naturalmente, com a evolução ao longo do tempo, a gente vai ver uma adoção cada vez maior na carteira dos clientes, porque o cripto não tem correlação com as demais classes de ativos. Então, naturalmente, ele vai ser incluído na estratégia de investimento de uma série de setores.

Pode explicar melhor o aconselhamento que vocês estão prestando para o governo do Paraná e como isso pode se estender para outros estados e municípios?

Essa área nossa de Financial Markets Advisory [aconselhamento sobre mercados financeiros] é a mesma área, por exemplo, que ajudou o governo da Arábia Saudita a desenvolver aquele plano Visão 2030, que muda a matriz econômica da região para reduzir a dependência de petróleo.

No caso do Paraná, a gente fechou um escopo mais específico e a ideia é entender com eles os setores prioritários do estado, as demandas que eles possuem de investimento e de desenvolvimento, e como criar a governança, os veículos de investimento, com as condições certas, com risco correto, com retorno correto.

Há alguns anos a BlackRock se mostrou bastante interessada na agenda ESG [meio ambiente, social e governança]. Hoje há hesitação com ela, principalmente com a pressão de Donald Trump. Como fica essa agenda para vocês nesse novo cenário?

Essas discussões muito pendulares sempre são mais complexas. É tudo ESG ou nada ESG. Então eu acho que é essencial para um player como nós estar pronto para atender a demanda dos nossos clientes. Tem muitos clientes nossos que têm demanda por soluções só ESG. A BlackRock tem mais de um US$ 1 trilhão de dólares alinhados com o ESG. Agora, tem clientes que não têm essa preocupação ou essa estratégia de investimento no radar deles. Vários dos nossos clientes globais, desde seguradoras, bancos centrais, países e fundos soberanos, estão vindo para a COP30 [Conferência do Clima das Nações Unidas no Brasil]. A gente vai acompanhar, receber por aqui e fomentar [negócios verdes].


RAIO X | Bruno Barino, 46

Formado em administração pela PUC-RJ, tem MBA pela USP e formação executiva pela Columbia Business School. Tem mais de 25 anos de experiência no setor financeiro, com passagens pelos bancos HSBC e UBS.

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Fonte: Folha de São Paulo


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