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A alta nas ações da Nvidia perdeu força na quinta-feira (20), depois que investidores ignoraram uma previsão de receita acima do esperado e garantias de que a economia de inteligência artificial não está em uma bolha.
As ações abriram o dia em uma disparada acima de 5% e, em uma inversão de sinais, fecharam o pregão em uma queda de 3%, com os papéis negociados na Bolsa de Nova York a US$ 181,25 (R$ 966,79). Os mercados em geral recuaram, sob a pressão dos rumores sobre o setor de IA e das preocupações com a política monetária americana.
A Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, anunciou na quarta-feira (19) que estima vendas na casa de US$ 65 bilhões (R$ 346,7 bi) no trimestre de janeiro —cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16 bilhões) a mais do que os analistas previam. A fabricante de chips também disse que espera receber, nos próximos trimestres, ainda mais do que o meio trilhão de dólares projetados por firmas de consultoria como a McKinsey.
A empresa lida com temores crescentes de que os gastos com seus chips de IA não sejam sustentáveis. A operação da empresa na China também estagnou devido às restrições de exportação dos EUA.
“Tem havido muita conversa sobre uma bolha de IA”, reconheceu o CEO Jensen Huang em uma teleconferência com analistas. “Do nosso ponto de vista, vemos algo muito diferente.”
Os resultados da Nvidia tornaram-se um barômetro para a saúde do setor de IA. O anúncio de lucros inicialmente valorizou ações da área, que também terminaram o dia em recuos.
O CEO da Nvidia havia dito no mês passado que a empresa tem mais de US$ 500 bilhões de receita chegando nos próximos trimestres. Proprietários de grandes data centers continuarão a gastar em novos equipamentos porque os investimentos em IA começaram a dar retorno, disse ele.
A diretora financeira Colette Kress foi além na quarta-feira, indicando que a Nvidia provavelmente superaria a meta de US$ 500 bilhões. “O número vai crescer”, disse ela na teleconferência.
O papel crescente da IA ajudará a manter a demanda pelos produtos da Nvidia, disse Huang. A tecnologia está ajudando a melhorar os serviços das big techs, como as buscas do Google, e está prestes a chegar ao mundo físico na forma de robôs e outros dispositivos.
A principal unidade da Nvidia, ligada a vendas a data centers, teve receita de US$ 51,2 bilhões no trimestre, em comparação com uma estimativa média do mercado de US$ 49,3 bilhões. Chips usados em PCs para jogos —antes a principal fonte de receita da empresa— geraram vendas de US$ 4,3 bilhões. O valor segue próximo a média histórica de US$ 4,4 bilhões.
A previsão para o último trimestre reflete uma ascensão impressionante para a empresa. As vendas serão mais de 10 vezes maiores do que eram no mesmo período há apenas três anos. E a Nvidia está a caminho de entregar mais lucro líquido anual do que dois rivais de longa data —Intel Corp. e Advanced Micro Devices Inc.— reportarão em receitas.
Contudo, a expansão da Nvidia passa por desafios. As restrições dos EUA ao envio de chips avançados para a China praticamente isolaram a big tech de uma demanda massiva por seus produtos.
Huang fez lobby em Washington para reverter essas regras —argumentando que elas são contraproducentes para as preocupações de segurança nacional que deveriam servir. Mas, mesmo após algum recuo dos critérios mais rígidos, a Nvidia não projeta nenhuma venda de aceleradores de IA na China.
“Nossa previsão para a China é zero”, disse Huang em uma entrevista à Bloomberg Television. “Adoraríamos ter a oportunidade de reengajar o mercado chinês com produtos excelentes.”
Alguns investidores também expressaram preocupações sobre a estrutura dos mega-acordos que a Nvidia fechou com clientes. As transações envolvem investimentos em startups como OpenAI e Anthropic PBC, levantando a questão de se os pactos estão criando demanda artificial por computadores.
Huang disse que o investimento da Nvidia na OpenAI, que ainda não foi finalizado, proporcionará um bom retorno, disse ele. Apoiar a Anthropic, enquanto isso, ajudará a estabelecer laços com uma empresa que não tem sido uma grande usuária da tecnologia da Nvidia, disse ele.
Além diso, concorrentes da Nvidia ficaram mais otimistas de que finalmente podem desafiar a dominância da empresa em chips para IA. No início deste mês, a AMD previu um crescimento acelerado para seu negócio de chips de IA e falou sobre as perspectivas para produtos futuros.
AMD e Qualcomm anunciaram parcerias com grandes clientes da Nvidia. Operadores de data centers também estão em busca da próprias tecnologias —um esforço que os tornaria menos dependentes do fornecimento da Nvidia.
Huang disse na quarta-feira que a pressão competitiva permanece baixa. Mais clientes do que nunca, afirmou ele, estão vindo para a Nvidia depois de experimentar as alternativas. Segundo o executivo, a complexidade dos sistemas de computação de IA colocou a Nvidia em uma posição forte.
O CEO também está se esforçando para espalhar o uso da IA em mais setores da economia mundial. Ele embarcou em uma turnê global para persuadir órgãos governamentais e corporações a implementar sua tecnologia.
A Nvidia, fundada em 1993, foi pioneira no mercado de chips gráficos usados para criar imagens realistas para jogos de computador. A AMD é sua única grande rival remanescente nesse negócio.
A Nvidia construiu sua dominância em IA adaptando essa mesma arquitetura de chip para processar enormes quantidades de dados —ajudando pesquisadores a criar software que começou a rivalizar e se assemelhar às capacidades humanas.
A empresa com sede em Santa Clara, Califórnia, ainda detém mais de 90% do mercado de chips aceleradores de IA. “Os negócios estão muito fortes”, disse Huang na entrevista. “Fizemos um bom trabalho porque nos preparamos para isso”, acrescentou.
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Fonte: Folha de São Paulo


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