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BTG, BB e Caixa destinam R$ 25 bi a mais para provisões – 02/10/2025 – Painel S.A.


Após o CMN (Conselho Monetário Nacional) implementar novas regras na forma como as instituições financeiras calculam as suas perdas esperadas na carteira de crédito, BTG Pactual, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal observaram um aumento na chamada PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), principalmente no nível mais elevado de risco.

Proporcionalmente, não em números absolutos, o BTG foi o que mais teve alta de provisões na comparação com os seis maiores bancos do país, segundo levantamento feito pelo Painel S.A. com base nos balanços publicados.

As novas exigências foram implementadas neste ano —com cerca de sete anos de atraso em relação aos demais países.

Agora, os bancos precisam levar em conta não somente variáveis do passado para estimar possíveis calotes dos clientes, mas índices atuais de inflação, juros e taxa de desemprego.

Desta forma, há uma expectativa de que, diante de cenários pessimistas da economia, o risco de não pagamento por crédito tomado aumente, o que exige mais provisões das instituições, um dinheiro que os bancos reservam caso precisem cobrir prejuízos.

Esse aumento, contudo, não reflete, necessariamente, a piora da qualidade do crédito concedido pelas instituições.

O novo modelo impõe aos bancos um provisionamento em três estágios. No nível mais elevado (o 3), ficam alocados os instrumentos financeiros com problema de recuperação de crédito.

Os resultados financeiros do segundo trimestre deste ano apontam que o BTG foi o que mais teve elevação de provisão no crédito de maior risco.

Em dezembro de 2024, de um total de R$ 7,1 bilhões de PDD do banco, 57,7% eram de nível 3 (eles foram recalculados pelo banco para efeito de comparação com a nova regra).

Em junho deste ano, essa proporção saltou para 67,7%. Em valores, o provisionamento no estágio 3 passou de R$ 4,1 bilhões para R$ 6,5 bilhões –58,5% de aumento.

Consultado, o banco não se manifestou.

Estatais também foram afetadas

No caso do Banco do Brasil, essa relação subiu de 73,7%, em dezembro de 2024, para 78,4%.

Apesar da elevação dessa relação ser menor em relação à do BTG, em números absolutos, o BB provisionou R$ 68,4 bilhões até junho deste ano, ante R$ 51,4 bilhões no fim do ano passado –R$ 17 bilhões a mais.

A necessidade de ajuste no cálculo do provisionamento afetou os resultados financeiros do banco estatal no segundo trimestre deste ano. A queda do lucro líquido foi de 60% ante o mesmo trimestre do ano passado.

O BB também teve perdas com o aumento da inadimplência no agronegócio e na carteira de pessoas físicas.

Na Caixa Econômica Federal, as provisões para nível 3 saltaram de R$ 36,6 bilhões, em dezembro de 2024, para R$ 42,8 bilhões em junho deste ano. Com isso, o provisionamento nesse estágio mais arriscado passou de 64,9% do total provisionado para 69,7% no período considerado.

Caixa e Banco do Brasil não comentaram.

Na contramão

O levantamento também mostra que, mesmo com o endurecimento das regras de provisão para crédito duvidoso, Itaú, Bradesco e Santander foram na contramão e registraram queda no provisionamento de maior risco.

No Itaú Unibanco, ele caiu de 57,9% do total provisionado para 51,3%. No Santander, passou de 71% para 69% e, no Bradesco, de 70,5% para 69,3%.


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Fonte: Folha de São Paulo

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