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Uma juíza federal dos Estados Unidos condenou nesta segunda-feira (29) a sete anos de prisão Charlie Javice, após um júri de Nova York considerar a empreendedora culpada de fraudar o JPMorgan Chase na venda de sua fintech por US$ 175 milhões.
Javice fez um discurso emocionado no tribunal em que pediu desculpas aos pais, ao namorado e “aos acionistas do JPMorgan”.
“No fundo, ainda acredito que sou uma boa pessoa”, disse. “Qualquer que seja a sentença, vou aceitá-la com dignidade e humildade.”
A Frank, startup fundada em 2017 logo após Javice se formar na Wharton School da Universidade da Pensilvânia, ajudava candidatos a faculdades a preencher formulários de auxílio financeiro.
O JPMorgan comprou a Frank em 2021 afirmando ao tribunal que buscava acesso ao que acreditava serem mais de 4 milhões de usuários. O banco disse ter descoberto depois que a base real era de apenas um décimo desse número.
Segundo a acusação, Javice, 33, e o cofundador Olivier Amar contrataram um cientista de dados para criar milhões de perfis falsos durante o processo de venda. Javice foi considerada culpada em março.
Na audiência desta segunda-feira, o juiz Alvin Hellerstein criticou o banco, dizendo que ele foi responsável por uma “avaliação muito ruim”. Mas afirmou que estava “punindo a conduta dela, não a estupidez do JPMorgan”.
Amar foi condenado separadamente por fraude e deve ser sentenciado em outubro.
Os promotores pediram 12 anos de prisão, argumentando que era preciso enviar uma mensagem “desesperadamente necessária” a fundadores de startups, entre os quais havia uma “tendência alarmante” de “praticar fraudes, incluindo deturpações sobre os produtos ou serviços centrais de suas empresas”.
“Será necessária uma sentença significativa para dissuadir Javice e sinalizar até mesmo para os fundadores mais arrogantes que suas falsas declarações a investidores terão consequências sérias”, escreveu o governo em documento recente.
Os advogados de Javice afirmaram que seu crime “representa uma profunda aberração em uma vida até então exemplar” e que “a Frank era uma empresa real, não uma fraude”. Acrescentaram ainda que ela “não foi movida por ganância”.
Em audiência, o advogado Ronald Sullivan disse que não havia “evidência de ganância, estilo de vida luxuoso, Ferraris, iates, jatos particulares [ou] viagens pelo mundo”.
Ele defendeu que Javice recebesse pena mais branda do que Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos, condenada em 2022 a mais de 11 anos de prisão por fraude, porque “ela tinha uma empresa real que de fato ajudava pessoas”.
Javice apresentou mais de 100 cartas de apoio de familiares, amigos e até porteiros dos prédios onde morou.
Marc Rowan, cofundador da Apollo Global Management, que investiu pessoalmente na Frank e atuou como mentor de Javice, também pediu ao juiz uma “sentença branda” em carta ao tribunal.
Em documento, o governo afirmou que Javice havia investido parte do dinheiro obtido com a fraude em fundos administrados pela Apollo e pela Motive Partners, empresa de private equity que tem participação da Apollo. Disse ainda que ela aplicou parte em um fundo privado da Tiger Global, para o qual o JPMorgan havia ajudado a captar recursos junto a clientes ricos.
Os promotores pediram ao tribunal a aprovação de uma restituição de US$ 300 milhões —dos quais US$ 283 milhões iriam para o JPMorgan e o restante para seu segurador— além de uma ordem de confisco de US$ 30 milhões.
Os advogados de Javice argumentaram que, dado o valor de mercado de US$ 868 bilhões do JPMorgan, a baixa de US$ 175 milhões equivaleria a uma perda de US$ 58 para a família americana mediana. O banco move ainda uma ação civil contra a empreendedora.
Em carta enviada ao juiz, Javice pediu “clemência”. “Qualquer sentença que Vossa Excelência impor, cumprirei com dignidade e graça. Aprendi com meus erros e prometo melhorar e ser melhor.”
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Fonte: Folha de São Paulo


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