Descubra a rota mais inteligente do planejamento financeiro – 02/11/2025 – De Grão em Grão

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Quando um avião decola, o piloto não confia apenas na sorte de o tempo permanecer bom durante o voo. Ele planeja a rota, confere o combustível, checa os instrumentos e ainda carrega um paraquedas de emergência. No planejamento financeiro, porém, muitos pais fazem o oposto: traçam a rota da acumulação, mas esquecem de carregar o paraquedas da proteção.

Sêneca dizia que “a sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”. No caso das famílias, o improvável nem sempre é sorte —às vezes é tragédia. E o que define o futuro financeiro de uma família não é apenas o retorno obtido, mas o quanto ela se preparou para os riscos no caminho.

Imagine um indivíduo de 35 anos que acaba de ter um filho. Ele quer garantir o futuro da família e pode poupar R$ 3.000 por mês, corrigidos pela inflação, pelos próximos 30 anos. Diante disso, há duas alternativas possíveis.

Na primeira, ele decide contratar um seguro de vida inteira com capital segurado de R$ 2,6 milhões, pago em dez anos. Diferentemente do que muitos imaginam, o valor não se perde —forma uma reserva financeira com potencial de resgate e valorização. Após esse período, ele passa a destinar o valor mensal para aplicações de longo prazo, como a previdência privada com mesmo retorno da segunda alternativa abaixo.

Na segunda alternativa, ele opta por investir todo o valor desde o início apenas em previdência privada, buscando um retorno líquido de imposto equivalente a IPCA + 4,5% ao ano. Lembro que um retorno líquido real de 4,5% ao ano equivale a mais de IPCA + 6% ao ano bruto de IR que é próximo ao que se observou na média dos últimos 20 anos no Brasil.

A diferença entre as duas estratégias aparece desde o início. No primeiro caso, a proteção da família é imediata. Desde o primeiro mês, se algo grave acontecer, a família recebe um capital equivalente a R$ 2,6 milhões a valores de hoje, suficiente para garantir educação, moradia e padrão de vida até a criança atingir a vida adulta.

Na segunda alternativa, o acúmulo é muito mais lento: em dez anos, o patrimônio seria de apenas cerca de R$ 511 mil, ou seja, cinco vezes menor do que esperado necessário para manter a tranquilidade familiar.

Mesmo após 20 anos, o total acumulado com a previdência pura ainda seria metade do valor apenas do capital no seguro contratado da primeira alternativa. Já quando comparamos com todo o patrimônio da estratégia que combina seguro e previdência, o montante acumulado da previdência sozinha seria quase três vezes menor, passadas duas décadas.

O gráfico acima considera a evolulção de ambas as estratégias até os 65 anos do pai, quando a criança já seria um adulto de 30 anos. O plano com proteção e acumulação se aproxima de R$ 4 milhões, enquanto o caminho apenas de acumulação não chega nem ao capital segurado inicial de R$ 2,6 milhões na alternativa com seguro.

O erro de muitos é acreditar que planejar o futuro é apenas acumular recursos. O verdadeiro planejamento envolve proteger o que ainda está sendo construído. Afinal, a vida raramente segue um gráfico linear —e quando as curvas inesperadas aparecem, quem se preparou com prudência não apenas sobrevive, mas permite que sua família continue crescendo.

Assim como o piloto que decola preparado para qualquer turbulência, o investidor que combina proteção e acumulação não aposta na sorte: ele constrói segurança. Porque no voo da vida, o paraquedas não diminui a velocidade da jornada —apenas garante que todos cheguem em segurança ao destino.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.


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Fonte: Folha de São Paulo


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