[ad_1]
Sábado à noite em Inocência, município de Mato Grosso do Sul, no Vale da Celulose, a 330 quilômetros de Campo Grande, é um agito.
Com pouco mais de 8.000 habitantes, a cidade convive hoje com 6.000 homens trabalhando na obra da fábrica de celulose da Arauco, um investimento de R$ 25 bilhões. No pico da construção, serão 14 mil.
A presença masculina é ainda maior se considerados os funcionários contratados para as outras obras de construção civil, infraestrutura e demais negócios estimulados pelo crescimento urbano provocado pelo empreendimento.
Eles lotam as mesas dos bares, sentam-se para fumar nas ruas e dançam nas calçadas com pequenas caixas de som no ritmo do piseiro.
Não que faltem boates. Há muitas, desde a entrada da cidade, na beira da rodovia, montadas em grandes tendas, que dividem espaço com casas de prostituição onde se leem placas com avisos de que é “proibido beijar na boca” sob pena de multa de R$ 250.
Segundo o balconista, o programa sai por R$ 270. Assim como a maior parte dos operários, as jovens vêm de outros estados.
Quem chega em Inocência logo nota que o ambiente se adaptou para atender ao contingente masculino: há caminhões descarregando cerveja, muitas lojas de roupas para homens e relatos de forte movimento nos salões de corte de cabelo.
A transformação desencadeada pelo projeto da Arauco mostra efeitos além da predominância do gênero. Em restaurantes e lojas, é comum encontrar cartazes de “estamos contratando”, o que o prefeito Toninho da Cofapi (PP) vê como resultado do progresso.
“Está difícil achar gente para trabalhar. São oportunidades. Antes, aqui só tinha emprego em laticínio, prefeitura e fazendas”, diz.
Nas ruas, chamam a atenção os imóveis com placas de vende-se ou aluga-se e uma quantidade surpreendente de hotéis. É que, além dos operários da obra, que ficam em alojamentos, o preço da hospedagem subiu com a demanda dos outros funcionários, que chegam na cidade para fazer serviços de engenharia e outras atividades.
Moradores reclamam dos aluguéis, que em alguns casos saltaram de R$ 1.000 para R$ 3.500. “Estamos pagando, mas tem gente que mudou para uma cidade próxima”, diz Leandro Santos, dono de um hotel que está construindo novos quartos, porque os atuais atingiram lotação máxima.
Os quartos têm de ficar prontos o quanto antes, já que a demanda deve despencar após a inauguração da fábrica. Quando a planta entrar em operação e os operários forem embora, o projeto da Arauco deve gerar 6.000 empregos, sendo 3.000 na operação florestal, mil na industrial e 2.000 no abastecimento.
Dona de uma das casas à venda, Reni de Almeida, 92 anos, ainda não decidiu se vai entregar o imóvel. A escolha será feita quando refletir sobre a proposta. Segundo sua filha, Nilce Silva, a avaliação está em torno de R$ 1,5 milhão.
A 230 km dali, em Ribas do Rio Pardo –que viveu processo semelhante com a fábrica da Suzano, inaugurada em 2024– hoje sobram quartos de hotéis vazios.
O que falta são casas, diz o prefeito de Ribas, Roberson Moureira (PSDB). Segundo ele, apesar das moradias já entregues pela Suzano aos funcionários, ainda há pessoas que vieram para a cidade com a ilusão de uma vida melhor, mas estão vivendo em favelas.
É o caso de Dayane Santos, 37, que migrou do Paraná e hoje vive em um barraco. “Não consegui emprego. Meu sonho é ter uma casa como as da Suzano.”
[ad_2]
Fonte: Folha de São Paulo


Deixe um comentário