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Os advogados de Eva Klein se manifestaram à Justiça dizendo que a herdeira do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein, está interditada nos Estados Unidos e que, enquanto isso, o irmão mais velho, Michael, que é inventariante, praticou atos dentro do inventário sem sua anuência ou consulta prévia.
A revelação da defesa de Eva à Justiça, na última quarta (22), deu-se após Saul Klein ter protocolado, no mês passado, uma petição na 4ª Vara Cível de São Caetano do Sul, dizendo que Michael estava atuando em nome de sua irmã de forma fraudulenta.
Consultado, Michael refutou as alegações e disse estranhar que os advogados de sua irmã estejam fazendo afirmações em nome dela. O inventariante afirmou que Eva, com certeza, sequer conhece ou contratou pessoalmente os advogados do escritório França e Nunes Pereira, que a representa na ação.
A revelação da defesa de Eva pode levar a briga por herança entre os irmãos, que já dura mais de uma década, a um novo patamar, já que, a depender da análise da Justiça, a revelação pode se configurar fraude processual e invalidar um memorando de entendimentos entre os irmãos, alvo de descontentamentos do caçula, Saul Klein.
Ele acusa Michael de falsificar assinaturas do pai, que morreu em 2014, para fazer doações bilionários em vida da participação acionária de Samuel na Casas Bahia para si mesmo e para Eva. A alegação, porém, foi refutada pela Justiça.
Saul também briga na Justiça para antecipar sua parte incontroversa da herança, ou seja, que não é alvo de disputas, alegando passar por um quadro grave de saúde e que, por isso, precisa do dinheiro.
Segundo a manifestação de Saul sobre a interdição da irmã, Michael teria atuado em nome de Eva mesmo após ela ter sido declarada incapaz nos EUA. A petição do filho caçula demonstrou que a sua irmã foi declarada civilmente incapaz por sentença proferida em 13 de novembro de 2019 pelo 15th Judicial Circuit Court of Florida, Palm Beach County – Probate Division.
Tal sentença reconheceu, segundo Saul, um quadro de demência frontotemporal, que vinha sendo administrado desde março de 2015. O filho caçula de Samuel, então, ligou o ocorrido à assinatura do memorando de entendimentos.
“Nesse contexto, não pode passar despercebido que o memorando de entendimentos foi firmado em 12 de março de 2015, apenas seis dias antes da constituição dos referidos instrumentos privados que a própria Justiça norte-americana reconheceu como substitutivos da curatela”, disseram no processo os advogados de Saul, do escritório de Walfrido Warde.
Segundo a defesa do filho caçula, a declaração da irmã no âmbito do memorando se mostrou absolutamente nula, pois decorreu de procuração inválida, firmada por pessoa já interditada e, portanto, destituída de capacidade para qualquer ato de disposição de vontade.
A coincidência temporal entre a perda de capacidade e o processo da herança é, segundo os advogados de Saul, “perturbadora e reveladora de manipulação consciente da vontade de uma herdeira incapaz.”
Para o herdeiro caçula, a interdição de Eva teria sido deliberadamente ocultada por Michael Klein e por seus advogados, sem comunicação do fato ao juízo ou aos demais herdeiros.
Com Luany Galdeano
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Fonte: Folha de São Paulo


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