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Larry Ellison em breve será dono das notícias – 20/09/2025 – Mercado


Larry Ellison já é um grande acionista da CBS e da Paramount. Agora, CNN, HBO e uma fatia importante do TikTok estão em sua mira. Se tudo ocorrer como esperado, esse bilionário da tecnologia —um dos homens mais ricos do mundo e fundador da Oracle— está prestes, aos 81 anos, a se tornar um dos mais poderosos magnatas de mídia e entretenimento que os Estados Unidos já conheceram.

Para o restante de nós, o efeito da aposta de Ellison pode ser tão ou mais significativo do que o que aconteceu uma geração atrás, quando Rupert Murdoch trouxe seu estilo australiano de sarcasmo e cinismo para criar o que viria a ser a Fox News, intensificando a polarização política.

A esperada incursão de Ellison em Hollywood e na grande mídia, se bem-sucedida, pode ir muito além do que outros magnatas da tecnologia tentaram —como Jeff Bezos, com a compra do Washington Post, e Marc Benioff, com a aquisição da revista Time. Para eles, esses investimentos pareceram mais hobbies caros.

Ellison pretende algo bem diferente: transformar-se em um magnata da mídia. Junto com o filho, David, ele pode em breve controlar uma poderosa plataforma de mídia social, um simbólico estúdio de cinema de Hollywood e um dos maiores serviços de streaming de conteúdo, além de duas das maiores organizações jornalísticas do país.

Dada sua amizade e afinidade com Donald Trump, um presidente cada vez mais fortalecido poderia ganhar um aliado midiático extraordinariamente poderoso —em outras palavras, exatamente aquilo de que os EUA menos precisam neste momento.

Tudo começou com a recente aquisição de David: a agora chamada Paramount Skydance, comprada com uma pequena parte dos mais de US$ 350 bilhões de fortuna de Larry. O negócio, que contou com investimento da firma de private equity RedBird Capital Partners, uniu a antiga Paramount Global à Skydance Media, produtora de filmes e empresa de entretenimento fundada por David em 2010.

Semanas após o fechamento do acordo, em agosto, ficou claro que os Ellisons estavam sérios em transformar a Paramount Skydance em uma nova força midiática. Eles assinaram um contrato de sete anos, no valor de US$ 7,7 bilhões, para que a CBS e a Paramount transmitam e façam streaming do UFC (Ultimate Fighting Championship), cujo diretor-executivo discursou na Convenção Nacional Republicana de 2024 e é apoiador de longa data de Trump.

Os Ellisons também não escondem a intenção de levar a CBS News mais para a direita. Estão negociando a compra do The Free Press, uma publicação heterodoxa cofundada por Bari Weiss que prioriza críticas à cultura “woke”, e planejam colocar Weiss em um cargo sênior na CBS News. Além disso, contrataram como ombudsman da CBS Kenneth Weinstein, ex-diretor do conservador Hudson Institute. Deu para perceber a velocidade da guinada?

E tem mais: se tudo correr como o planejado, Trump poderá em breve entregar 80% do TikTok —poderosa plataforma de mídia social— a acionistas atuais, entre eles KKR e General Atlantic, além de um novo consórcio que inclui a Oracle de Ellison e a a16z, firma de capital de risco do Vale do Silício cujo cofundador, Marc Andreessen, é próximo da administração.

Não para por aí: os Ellisons estariam se preparando para uma oferta —possivelmente de US$ 80 bilhões, segundo estimativas— pela Warner Bros. Discovery, conglomerado que controla a HBO Max, o estúdio Warner Bros. e a CNN.

Se a Paramount Skydance avançar com uma oferta em dinheiro pela Warner Bros. Discovery, é provável que vença. Poucas empresas têm interesse em comprar todo o conglomerado, e ainda menos conseguiriam competir com o caixa dos Ellisons. Reguladores sob outra administração presidencial poderiam ter barrado a operação devido à concentração de estúdios de Hollywood e à união de CBS e CNN, mas poucos esperam dificuldades semelhantes agora. No fim, a Warner Bros. Discovery talvez não tenha escolha além de aceitar o dinheiro de Larry e seguir em frente.

Muitos empregos certamente serão cortados em nome das “sinergias” que os Ellisons prometerão aos investidores. Isso será doloroso. Mas o efeito mais grave da união desses ativos sob o controle de Larry Ellison será a expectativa —e provavelmente a realidade— de que esses veículos caminhem, como a Fox News, rumo a uma visão de mundo mais alinhada a Trump.

Ninguém sabe ao certo por que os Ellisons parecem seguir nessa direção. É apenas estratégia de negócios? Seria mais fácil ceder a Trump? Ou acreditam de fato em sua pauta e em toda a sua confusão?

Independentemente das motivações, duas vozes jornalísticas independentes —CBS News e CNN— podem em breve se transformar em algo quase irreconhecível, excessivamente próximo do que a família Murdoch serve diariamente. E isso representaria mais uma rachadura na já frágil armadura da democracia americana.

O autor do texto é cofundador da Puck e ex-banqueiro de Wall Street



Fonte: Folha de São Paulo

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