Nenhum ganho vem sem perdas – 28/09/2025 – De Grão em Grão

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Basta algo dar errado para acharmos que tudo está errado. Uma perda inesperada costuma nos dar a sensação de que a estratégia inteira precisa ser revista, como se um tropeço no caminho fosse prova de que o mapa estava errado desde o início. Epicteto lembrava que “não é o que acontece com você, mas como você reage ao que acontece que importa”. No mundo dos investimentos, essa lição é preciosa. O problema raramente está na perda em si, e quase sempre na forma precipitada com que reagimos a ela.

Perdas fazem parte do processo de investir. Mesmo aplicações conservadoras estão sujeitas a algum tipo de oscilação ou perda, seja de valor de mercado, liquidez, aspecto macroeconômico ou microeconômico como a alteração no balanço de uma empresa conservadora que sofreu um revés financeiro.

Um título de renda fixa pode se desvalorizar quando os juros sobem ou quando o emissor sofre algo, um imóvel pode enfrentar vacância ou queda de preço, e ações reagem diariamente a mudanças de expectativas e dados econômicos. Não existe retorno sem algum tipo de risco e mesmo a ausência de retorno carrega algum risco. Buscar ganhos consistentes sem aceitar eventuais quedas é como esperar colher frutas o ano inteiro sem enfrentar o inverno: simplesmente não funciona.

Essas oscilações não são um defeito do mercado financeiro, mas uma característica de qualquer sistema vivo ou econômico. Temperaturas variam, economias crescem e encolhem, moedas se valorizam e se desvalorizam. A estabilidade perfeita não existe; a dinâmica é a regra. Os mercados refletem exatamente essa adaptação constante a novas informações e expectativas. Procurar um investimento sem oscilações é como tentar controlar o clima: uma tentativa inútil que só gera frustração.

O verdadeiro perigo surge quando reagimos emocionalmente às perdas. A dor de perder costuma ser muito mais intensa que o prazer de ganhar, e isso nos empurra para conclusões apressadas. Uma queda pontual faz muitos investidores acreditarem que toda a estratégia está equivocada, quando na verdade pode ser apenas parte natural do percurso.

Essa é uma armadilha clássica: confundir um tropeço com um erro de rota. Não existe plano que funcione em todos os cenários. Mudar de direção a cada obstáculo pode ser tão prejudicial quanto ignorá-los completamente. A disciplina de seguir uma linha coerente, mesmo diante dos contratempos, costuma pesar mais no resultado final do que a busca incessante por uma “estratégia perfeita”.

Planejar para perdas é mais sensato do que tentar evitá-las. Uma boa carteira já nasce preparada para enfrentar períodos de queda. Diversificação, liquidez e horizontes adequados ajudam a manter o rumo quando o cenário se complica. O investidor que espera um caminho sem solavancos está fadado a se decepcionar; o que se prepara para eles consegue seguir adiante com mais tranquilidade.

Perdas são, no fim das contas, o preço de entrada para os ganhos. Quem deseja retornos superiores precisa conviver com períodos de desconforto. Quem tenta escapar desse preço geralmente acaba ficando do lado de fora quando os bons momentos chegam. Maturidade financeira não é eliminar as perdas, mas aceitá-las como parte inevitável do processo. Não existe estratégia infalível, mas existe comportamento sólido diante das adversidades.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.


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Fonte: Folha de São Paulo


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