Assim como ninguém decide construir um abrigo quando a tempestade já começou, também não deveríamos cuidar da saúde ou das finanças apenas quando o problema já está instalado. O filósofo Sêneca já alertava: “Enquanto adiamos, a vida passa depressa”.
Quando foi a última vez que você fez um check-up geral de saúde? Ou mesmo um simples exame de sangue para avaliar se está tudo bem? Quando foi a última vez que passou no dentista para uma avaliação de rotina? A maioria de nós só se lembra de cuidar da saúde quando o problema já bateu à porta.
Talvez você se pergunte: qual o problema com isso? O problema é que, muitas vezes, quando algum sintoma aparece e nos força a procurar um médico, o diagnóstico pode revelar algo mais sério do que imaginávamos. O tratamento, que poderia ser simples e barato se descoberto no início, acaba se tornando longo, doloroso e custoso.
Um exame de rotina pode identificar colesterol alto ou hipertensão ainda silenciosa. Se tratados cedo, ajustes de dieta, exercícios e um acompanhamento médico são suficientes. Mas, se deixados para depois, o resultado pode ser um infarto ou um AVC, que mudam a vida para sempre e custam muito mais em todos os sentidos.
Da mesma forma que ignorar um exame pode custar caro, ignorar as precauções financeiras também cobra seu preço. Recebemos mensalmente nosso salário ou pró-labore e desconsideramos a importância de poupar para emergências. Afinal, no próximo mês o dinheiro cai de novo. Até que, em um mês qualquer, ele não cai mais. É nesse momento que se percebe a importância de uma reserva de emergência, mas agora, o custo para criá-la é alto e, muitas vezes, impossível.
O mesmo acontece com a aposentadoria. Muitos só se preocupam quando ela se aproxima. Como o tempo para acumular é curto, o esforço de poupança é muito maior e, ainda assim, pode não ser suficiente para alcançar o padrão de vida desejado. Se tivesse começado cedo, a contribuição seria pequena e os juros compostos fariam boa parte do trabalho. Adiar esse preparo é como tentar recuperar, em poucos anos, todos os exames de saúde que deixamos de fazer ao longo da vida: o atraso cobra um preço alto.
Na sucessão, o erro se repete. Jovens de 25 a 40 anos poderiam garantir proteção patrimonial e familiar com custos mínimos, mas preferem adiar. Quando chegam aos 60 ou 70, percebem que o seguro de vida –que poderia custar até 15% do capital segurado até o fim da vida se contratado antes dos 50 –pode passar de 50% do valor se contratado mais tarde.
Além disso, ignoram que o seguro moderno vai além da indenização: é também ferramenta de liquidez imediata para herdeiros, de construção patrimonial para o segurado, blinda parte do patrimônio de riscos jurídicos, evita disputas no inventário e organiza o patrimônio de forma eficiente. E a demora não afeta apenas o custo financeiro; muitas vezes, abre espaço para conflitos familiares que poderiam ter sido evitados com um planejamento prévio.
Parte desse atraso se explica pelo desconhecimento das ferramentas modernas de proteção. Muitos ainda associam seguros e planos de sucessão às experiências negativas de seus pais ou do passado. É como criticar o comércio online hoje só porque, na época da internet discada, comprar pela rede era arriscado e pouco confiável.
Na juventude, acreditamos que nada pode nos acontecer. Afinal, nada de grave ocorreu nos últimos 30 ou 40 anos. Mas a família que perdeu seu provedor cedo sabe que esse histórico não é garantia de futuro. Assim como na saúde, onde ignorar exames pode custar caro, nas finanças adiar decisões de proteção e poupança pode sair muito mais caro e doloroso depois.
O hábito de só se preocupar quando já é tarde precisa ser revisto. Seja em saúde ou em finanças, antecipar cuidados é sempre mais barato, menos doloroso e muito mais eficaz. A pergunta que fica é: você prefere pagar o preço do preparo ou o preço da urgência?
Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.
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