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O projeto que originou o Proálcool, que completa 50 anos nesta sexta-feira (14), foi desenhado pelo usineiro Cícero Junqueira Franco (1931-2016), em parceria com Lamartine Navarro Junior, e se chamava “Fotossíntese como fonte de energia”. Foram quatro anos desde o lançamento até a chegada do primeiro veículo movido exclusivamente pelo combustível derivado da cana-de-açúcar às ruas.
O programa é apontado como transformador para a cadeia sucroenergética nacional, que nem tinha esse nome à época, e enfrentou resistências inclusive dentro do próprio governo, conforme discurso recente do ministro de Minas e Energia daquele ano, Shigeaki Ueki.
Ele disse no último dia 20, em encontro da consultoria Datagro para celebrar as cinco décadas do programa, que a proposta teve dificuldades em alas do governo de Ernesto Geisel, que governou o país entre 1974 e 1979.
Um setor queria estudos para definir a região mais adequada para o plantio de cana-de-açúcar no país, de acordo com ele, e dentro do IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool) houve quem avaliasse que o “álcool era um insumo que atrapalhava”, dado os preços mais remuneradores do açúcar.
“Eu falei com o presidente Geisel ‘eu tenho o apoio dos empresários, mas dentro do governo eu tenho oposição’. Aí o presidente disse que convocaria uma reunião […] E esse [lançamento em] 14 de novembro de 1975 foi por decisão do presidente Geisel”, disse para a plateia formada por usineiros e executivos do setor sucroenergético.
A iniciativa da Fiat ao lançar o 147 movido a álcool em julho de 1979 logo foi seguida por Volks, GM e Ford, e o sucesso foi imediato, avalia Maurilio Biagi Filho, um dos signatários do Proálcool.
“Todo mundo comprava carro a álcool. O percentual que não comprava era muito pequeno, e não é que não comprava, é que não tinha [carro] também para todo mundo.”
Porém, o primeiro grande choque vivido pelo setor foi registrado em 1989, quando faltou combustível no mercado –cenário que Biagi refuta. A situação causou uma crise de confiança nos consumidores e a fuga dos veículos movidos a etanol, situação que efetivamente só mudou em 2003, quando a Volks apresentou o primeiro veículo flex, um Gol 1.6 que podia ser abastecido com etanol ou gasolina, em qualquer proporção.
As vendas dispararam e o boom causou aumento acelerado de usinas, com 55 novas plantas entre 2007 e 2009, gerou a mudança nos postos do nome do produto de álcool para etanol e fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamar os usineiros de “heróis nacionais e mundiais”.
O crescimento ocorria em meio a outros problemas, como a prática das queimadas de cana, alvo de ações por danos ambientais, e denúncias de jornadas excessivas no campo, com ao menos 22 mortes suspeitas de terem ocorrido por excesso de esforço no campo entre 2004 e 2008.
As queimadas foram eliminadas gradativamente a partir da assinatura de um protocolo agroambiental com o governo paulista em 2007, e a acelerada mecanização no campo também fez com que boias-frias deixassem de cortar até 20 toneladas diárias de cana.
“Lá, décadas e décadas atrás, a vinhaça chegou a ser desperdiçada em rios. Ou seja, era ruim para a natureza e o setor estava jogando dinheiro fora. Hoje a vinhaça é utilizada como biofertilizante, tem feito biogás, biometano, com vinhaça, ou seja, são inúmeras as inovações tecnológicas”, diz Evandro Gussi, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), para quem o setor tem uma “história de evolução”.
O executivo afirma ainda que a mecanização na colheita da cana permitiu a requalificação profissional de mais de 400 mil colaboradores que estavam no corte manual e se transformaram em tratoristas, operadores de máquina, mecânicos, eletricistas e gestores.
CANA E MILHO
Hoje, dos 37,7 milhões de veículos leves do país, 32,1 milhões, ou 85,1%, são flex, mas o etanol que abastece os veículos não é mais só produzido a partir da cana-de-açúcar.
Em outubro, 255 usinas estavam em atividade no centro-sul, das quais 234 processando cana, 10 fabricando etanol a partir do milho e 11 usinas flex. Segundo a Unica, no acumulado desde o início da safra, em abril, a produção de etanol de milho somou 4,85 bilhões de litros, 17,23% mais que no mesmo período do ano passado.
A consultoria Datagro projeta que as atuais usinas de etanol de milho, somadas às que estão projetadas ou já em construção, elevarão a capacidade de produção para 24,7 bilhões de litros em nove anos. O movimento de alta, especialmente no Centro-Oeste brasileiro, coincide com a estagnação na produção prevista para as plantas que utilizam cana.
Além do etanol, a partir da cana é possível fabricar açúcar, bioeletricidade (a partir da queima do bagaço e da palha) e plástico biodegradável, entre outros subprodutos.
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Fonte: Folha de São Paulo


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