Qual a missão do novo CEO da Americanas – 08/11/2025 – Mercado

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Para tentar sair da crise que já caminha para dois anos, a Americanas cortou funcionários, fechou lojas, mudou o lugar dos caixas, reduziu o tamanho das gôndolas e aumentou a oferta de eletrônicos. Agora, melhorar a relação com os fornecedores é uma das missões do novo presidente da varejista.

“A Americanas não tinha uma relação construtiva com os fornecedores, falo porque já fui fornecedor”, diz Fernando Soares, 46, em sua primeira entrevista à frente da empresa em recuperação judicial. Ele já dirigiu a divisão de não alcoólicas na Ambev.

“Agora estamos em um nível de parceria. Muita indústria grande faz produto exclusivo, como o Kitkat Cheesecake, que só tem nas nossas lojas”, diz ele, referindo-se à versão do chocolate da Nestlé. A empresa costuma se orgulhar de ser uma das maiores vendedoras do produto pelo mundo.

Fonte de uma multinacional de higiene pessoal, que não quis se identificar, diz que a varejista tem pago em dia, sem atrasos.

Soares assumiu a missão de dar vida nova à Americanas, uma das maiores varejistas do país, que diminuiu de tamanho desde o anúncio de fraude. Em janeiro de 2023, a empresa somava 43.123 colaboradores, número que foi reduzido em quase um terço (31%), para 29.562 ao final de setembro. No intervalo, foram fechadas mais de 300 lojas (18% do total), para 1.551. Boa parte das que ficaram diminuíram de tamanho e foram remodeladas.

Os caixas, antes posicionados na entrada das lojas, passaram a ocupar um espaço mais para os fundos ou laterais dos estabelecimentos. A altura das gôndolas foi reduzida praticamente à metade, para 75 centímetros.

“Com isso, o consumidor consegue perceber a amplitude do sortimento e pode circular melhor pela loja, sem a barreira de caixas logo na entrada”, diz Soares. Também foram implantados caixas de autoatendimento, que servem para agilizar a fila e diminuir a demanda por pessoal.

Os itens de bazar, limpeza, higiene e beleza, brinquedos e guloseimas estão dividindo espaço com um balcão para a venda de eletrônicos, em especial smartphones e tablets com preços mais competitivos.

De acordo com o executivo, uma solução mais “fácil” para a crise seria fechar centenas de lojas de uma única vez, até para encurtar a recuperação judicial. A empresa, no entanto, preferiu manter uma rede maior.

Hoje quem visita lojas da Americanas percebe um ponto de venda mais organizado, com um maior sortimento de produtos e presença de público. Diferentemente das gôndolas vazias que marcaram os primeiros meses pós-escândalo contábil.

Soares diz que o escândalo não comprometeu a imagem da empresa diante do consumidor, lembrando que o primeiro passo neste sentido foi dado pelo seu antecessor, Leonardo Coelho, que assumiu a varejista após o caso vir à tona: ele garantiu o abastecimento de chocolates na Páscoa em 2023.

“Caso contrário, o público sentiria a fraude”, diz. “Americanas é uma companhia que sofreu bastante. Enfrenta agora um ambiente macroeconômico muito difícil, como todo o setor, mas é uma empresa que merece, pode e está sendo recuperada.”

Para o consultor Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, o negócio da Americanas nunca foi o problema. “A turbulência que eles sofreram na operação foi por falta de crédito e interrupção no fornecimento, que deixou as lojas desabastecidas”, diz.

“A operação física tem se recuperado porque apresenta recorrência, marca forte e um bom parque de lojas instalado, são destinos em algumas categorias”, afirma, lembrando que a rede é muito forte em ações sazonais.

No segundo trimestre deste ano, a receita líquida da Americas cresceu 24,7% ante igual período do ano passado, para R$ 3,8 bilhões. O prejúízo caiu quase 95%, para R$ 98 milhões.

De acordo com a especialista, a Americanas perdeu relevância entre os marketplaces e dificilmente voltará a ocupar este lugar.

A Americanas trouxe de volta um antigo colaborador, Osmair Luminatti, diretor comercial que havia deixado a companhia em 2009. Hoje é vice-presidente comercial e de operações da Americanas. “Ele sabe tudo de sortimento: cabide, lâmpada, potinho… A gente volta com um monte de coisas que havia na loja 15 anos atrás”, diz Soares, que chegou à Americanas em setembro do ano passado, como principal executivo de operações.

Segundo Soares, a “confusão de trás” é muito grande e leva a companhia hoje a uma série de problemas operacionais, envolvendo sistemas, metas e processos. “Não consigo dizer se a minha venda está melhor hoje do que em 2021, porque não confio no número daquele ano”, afirma o executivo.

Em recuperação judicial desde janeiro de 2023, quando veio à tona um escândalo contábil de R$ 25,3 bilhões, a varejista tem como acionistas de referência os bilionários Beto Sicupira, Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann. O trio é sócio na gestora 3G Capital, uma das principais acionistas da AB Inbev, a gigante global de cervejas formada a partir da união entre Ambev, Interbrew e Anheuser-Busch, em 2008.

Treze antigos diretores da varejista, entre eles o ex-presidente da rede, Miguel Gutierrez, foram denunciados pelo Ministério Público Federal, que os acusa de formação de quadrilha. O trio não está entre os denunciados.


RAIO-X AMERICANAS

Fundação: 1929

Sede: Rio de Janeiro

Funcionários: 29.562

Lojas: 1.551, em todos os estados do país e no Distrito Federal

Centros de distribuição: Seropédica (RJ), Uberlândia (MG), Itapevi (SP), Benevides (PA), Cabo de Santo Agostinho (PE), Simões Filho (BA), São José dos Pinhais (PR) e Gravataí (RS)

Faturamento em 2024: R$ 21,4 bilhões


2026, MODO DE USAR

Nova série da Folha traz entrevistas em texto e vídeo, apresentando expectativas, receios e estratégias escolhidas para 2026 pelos principais executivos de dez segmentos diferentes: supermercados, varejo, consórcios, têxtil, calçados e confecções, ar-condicionado, tecnologia, telefonia, serviços financeiros e mobilidade. Todas as empresas da série faturam mais de R$ 1 bilhão ao ano.

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Fonte: Folha de São Paulo


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