Tesla domina mercado britânico de megabaterias – 21/10/2025 – Mercado

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A Tesla consolidou discretamente uma posição de liderança no mercado britânico de megabaterias, ampliando seu papel nos esforços do Reino Unido para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

O grupo de Elon Musk não apenas fornece baterias em larga escala a desenvolvedores de usinas, mas também atua na negociação da energia gerada por elas. As baterias da Tesla são as que mais geram receita em um mercado cada vez mais competitivo, que também atraiu grupos como o Goldman Sachs, segundo dados da consultoria Modo Energy.

As informações surgem duas semanas depois de o ministro britânico da Energia, Ed Miliband, responsável pela transição para a energia limpa, ter dito em um discurso que Musk deveria “ficar fora da nossa política e do nosso país”, após o bilionário criticar o Reino Unido em sua rede social X.

A Tesla já vendia baterias a residências britânicas como parte de sua oferta ligada a carros elétricos. Mas as megabaterias são capazes de armazenar energia quando a geração nas usinas é alta e os preços estão baixos, liberando-a na rede elétrica quando a oferta diminui e os preços sobem. Essa capacidade de equilibrar o fornecimento torna as chamadas baterias de escala de rede um elemento essencial na transição energética.

O sucesso da Tesla é atribuído à sofisticação do software de negociação Autobidder da empresa, bem como à maior capacidade de armazenamento e à localização estratégica de suas baterias, segundo especialistas.

“A plataforma [Autobidder] está constantemente reajustando lances e tentando superar a concorrência de forma mais dinâmica e orientada por dados do que os sistemas tradicionais de despacho manual”, afirmou Joe Bush, analista da Modo Energy.

As variações na oferta de eletricidade se refletem na volatilidade dos preços de energia, da qual os desenvolvedores de baterias podem lucrar. Traders de commodities como Trafigura e Vitol também estão investindo no setor.

O segmento é especialmente atraente no Reino Unido, devido à alta participação da energia eólica e solar, que tende a crescer com a meta do governo de descarbonizar o setor elétrico até 2030.

Os proprietários de baterias também podem vender serviços ao operador estatal do sistema elétrico, responsável por evitar blecautes ao intervir no mercado para equilibrar oferta e demanda.

“Os fundamentos do mercado britânico têm sido positivos para as baterias”, disse Tom Vernon, presidente da desenvolvedora Statera Energy.

Os desenvolvedores de projetos costumam terceirizar a negociação da energia armazenada para empresas como a Tesla —conhecidas como “otimizadoras”—, que se beneficiam da complexidade e da volatilidade do mercado elétrico britânico, dependente do clima.

O Goldman Sachs também passou a negociar energia em nome de proprietários de baterias no Reino Unido no ano passado, um sinal do potencial de retorno do setor.

Segundo a Modo Energy, a Tesla forneceu unidades de megabaterias Megapack para 20 dos 182 projetos em operação no país, somando 695 megawatts de capacidade instalada, e negocia a energia produzida por 16 deles.

Essas 16 baterias renderam em média 91.364 libras (R$ 658 mil) por megawatt entre outubro de 2024 e outubro de 2025. Elas ocupam 16 das 20 primeiras posições em desempenho no período, com receita total de 52 milhões de libras (R$ 374,6 mi), superando unidades operadas por gigantes como BP e EDF.

As baterias negociadas pela Tesla conseguem fornecer eletricidade por duas horas em capacidade total, mais do que as 1,5 hora típicas das baterias no sistema britânico —o que eleva sua receita por megawatt instalado, métrica padrão do setor.

Segundo Tim Sowinski, analista sênior da Cornwall Insight, a vantagem da Tesla está na especialização: “Eles trabalham exclusivamente com baterias, então o objetivo é otimizar ao máximo esses ativos e extrair o maior lucro possível.”

A Tesla e a EDF não comentaram. Goldman Sachs e BP não responderam aos pedidos de entrevista.

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Fonte: Folha de São Paulo


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