Uma visão por dentro dos óculos inteligentes da Meta – 23/09/2025 – Mercado

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Na semana passada, na conferência de desenvolvedores de software da Meta em Menlo Park, Califórnia, Mark Zuckerberg subiu ao palco para exibir um novo gadget: um par de óculos com câmeras e uma pequena tela projetada no canto da armação.

A apresentação foi semelhante em ambição aos lançamentos de produtos como Macs, iPhones e iPads, quando Steve Jobs comandava a Apple. Zuckerberg, o CEO da Meta, expôs sua visão de como os óculos computadorizados se tornariam o futuro da computação pessoal.

O novo óculos, o Meta Ray-Ban Display de $800, que executa aplicativos semelhantes a um smartphone, deveria mostrar que a Meta estava anos-luz à frente da concorrência. Mas eles falharam em sua primeira demonstração pública. E depois em outra.

Diferentemente dos momentos de “grande show” que Jobs supervisionou por anos como o mestre de cerimônias das demonstrações de produtos da Apple, Zuckerberg provocou mais risadas do que aplausos. Ele virou meme nas redes sociais, e sites de notícias de tecnologia zombaram da performance cheia de falhas.

Os problemas do produto, incluindo uma videochamada que falhou no palco, foram, na verdade, um desmantelamento da imagem que a equipe de marketing da Meta havia cuidadosamente construído para Zuckerberg nos últimos anos.

Em entrevistas à imprensa com a alta cúpula da Meta e seus óculos, junto com vídeos online postados por influenciadores mostrando o produto, parecia que a Meta estava à beira de algo grande o suficiente para destronar gigantes da indústria como Apple e Samsung e se tornar a próxima líder em hardware de computação.

Mas, na realidade, a empresa não está nem perto disso. Os óculos inteligentes da Meta continuam sendo um nicho. Até fevereiro, a Meta havia vendido cerca de dois milhões de seus óculos com câmera Ray-Ban Meta de $300 desde a sua estreia em 2023, e espera vender 10 milhões anualmente até o final de 2026, o que é uma quantidade minúscula para uma empresa desse porte.

Na última década, a Meta gastou mais de US$ 100 bilhões em sua divisão de realidade virtual e aumentada, que inclui seus óculos inteligentes e não é lucrativa. No último trimestre, a divisão reportou uma perda de US$ 4,5 bilhões, quase a mesma do ano anterior.

Para se ter uma ideia, a Apple vende centenas de milhões de iPhones e dezenas de milhões de smartwatches a cada ano. (Para ser justo, a Apple vendeu muito menos headsets Vision Pro —algumas centenas de milhares até agora, de acordo com estimativas— em comparação com a Meta, que vendeu dezenas de milhões de seus headsets Quest).

Se os óculos inteligentes de fato se tornarem populares, o produto poderá vir de uma marca que tenha uma reputação melhor com os consumidores, como o Google, que revelou um protótipo de seus óculos inteligentes movidos por seu chatbot de IA, o Gemini, este ano, ou a Apple, que, segundo relatos, está desenvolvendo um hardware semelhante.

Analistas dizem que o Meta Ray-Ban Display terá vendas baixas no futuro próximo por causa de seu preço alto e da incerteza sobre se as pessoas realmente vão querer uma tela no rosto enquanto estão por aí.

A Meta, no entanto, parece estar progredindo na correção de algumas das questões mais evidentes com computadores que você usa no rosto. Diferentemente do Google Glass e de outros headsets que pareciam volumosos e estranhos, o Meta Ray-Ban Display é confortável e se parece com óculos comuns. A duração da bateria, estimada em seis horas, pode ser suficiente para ajudar alguém a passar por um dia agitado.

Alex Himel, o executivo da Meta que supervisiona a realidade aumentada, disse em uma entrevista que a empresa projetou o produto para ter maior longevidade, fazendo um bom uso de cada centímetro dos óculos para os componentes. Ele também programou a tela para se desligar logo após as pessoas pararem de interagir com ela, para que não consuma energia.

Mas nosso teste de 30 minutos com o Meta Ray-Ban Display, que chega às lojas em 30 de setembro, foi tão irregular quanto a demonstração de Zuckerberg. Uma pulseira incluída com os óculos, que detecta gestos com as mãos para controlar aplicativos na tela, ocasionalmente falhava em registrar os movimentos dos dedos. Porta-vozes da Meta colocaram os problemas na conta de redes de Wi-Fi congestionadas.

Mesmo que os óculos se mostrem sólidos quando chegarem às lojas, a Meta ainda precisa resolver um problema mais profundo com sua marca: uma desconfiança de longa data entre a empresa e seus clientes sobre como ela tem gerenciado mal os dados das pessoas.

Óculos com câmeras, que têm implicações para a vigilância e a privacidade, podem agravar os desafios da Meta, porque os produtos gravam sutilmente o que os usuários veem e ouvem. Eles emitem uma pequena luz para indicar quando uma gravação está acontecendo, o que pode ser difícil de notar. À medida que os óculos se tornam mais populares, as preocupações com a privacidade só aumentarão, disse Carolina Milanesi, analista de tecnologia de consumo da Creative Strategies, uma empresa de pesquisa.

No Instagram e no TikTok, alguns influenciadores enfrentaram reações negativas por usarem os óculos para filmar vídeos discretamente sem o consentimento das pessoas neles. Em um vídeo viral do TikTok, a influenciadora Aniessa Navarro compartilhou uma história sobre quando ela descobriu que sua esteticista, durante uma depilação brasileira, estava usando os Meta Ray-Bans.

Os Meta Ray-Bans também foram notícia este ano quando o FBI relatou que o homem em Nova Orleans que dirigiu um caminhão contra uma rua movimentada havia usado os óculos com câmera para inspecionar a área semanas antes do ataque.

“O problema não é apenas a privacidade das pessoas que compartilham seus dados, é a privacidade de todas as pessoas ao redor que podem nem saber que estão sendo filmadas,” disse Milanesi. “E as pessoas não confiam na Meta.”

Ainda assim, ela disse, se os óculos inteligentes da Meta forem os melhores e mais baratos do mercado, muitas pessoas podem deixar de lado suas preocupações com a empresa em troca de um produto que gostam de usar.

Mas a realidade pode ser lida na internet: nos fóruns e seções de comentários que discutem os novos óculos da Meta. Em vídeos postados nas redes sociais mostrando os óculos, alguns comentaristas disseram que não confiavam na Meta e comprariam o produto se ele fosse feito por uma empresa diferente.

No Hacker News, um fórum para trabalhadores de tecnologia discutirem os desenvolvimentos do Vale do Silício, as pessoas que discutiam a tecnologia dos novos óculos da Meta levantaram preocupações sobre as implicações para a vigilância e a privacidade, já que o produto foi feito pela Meta, comparando o produto a algo de um episódio de “Black Mirror.”

Tudo isso pode não importar para a Meta, porque a empresa pode se dar ao luxo de continuar tentando até acertar. Graças ao seu negócio de publicidade online, a empresa obteve US$ 18,3 bilhões em lucro em seu trimestre mais recente, mesmo tendo gasto bilhões na outra grande paixão de Zuckerberg que ainda não está rendendo muito dinheiro —a inteligência artificial.

“Se acabarmos gastando mal algumas centenas de bilhões de dólares, acho que isso será muito lamentável,” disse Zuckerberg sobre seus investimentos em IA em um podcast recente. “Mas eu acho que o risco, pelo menos para uma empresa como a Meta, é provavelmente não ser agressiva o suficiente.”

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Fonte: Folha de São Paulo


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