Montadoras precisarão de licenças para exportar veículos elétricos da China a partir do próximo ano, reforçando os sinais de que as autoridades estão intensificando a gestão do maior mercado automobilístico do mundo.
Licenças de exportação serão exigidas a partir de 1º de janeiro e são projetadas para promover o “desenvolvimento saudável” da indústria de veículos elétricos, disse o Ministério do Comércio nesta sexta-feira (26). A medida alinha o setor aos moldes de outros tipos de carros e motocicletas, que já exigem licenças.
Pequim intensificou o controle sobre o mercado automobilístico chinês este ano após uma guerra de preços de veículos elétricos que levou alguns fabricantes à beira do colapso, gerando preocupações entre as autoridades sobre a saúde do setor a longo prazo. Até agora, houve uma repressão aos descontos agressivos que têm caracterizado o setor por anos e uma ordem para que as montadoras acelerem os pagamentos aos fornecedores.
As exportações de veículos elétricos de fabricantes chineses, com BYD, Nio e Xpeng na dianteira, têm estado no centro das tensões geopolíticas, particularmente com a União Europeia, que impôs pesadas tarifas para conter seu fluxo.
Ainda assim, os embarques continuaram praticamente sem pausa. Nos primeiros sete meses deste ano, as montadoras chinesas exportaram mais de US$ 19 bilhões em veículos elétricos, aproximadamente o mesmo que no ano anterior, com a Europa sendo o principal mercado apesar das tarifas da UE. A BYD contratou quatro novos executivos na Alemanha esta semana para impulsionar as vendas.
A medida de Pequim deve complicar os negócios também para as montadoras ocidentais. Tesla, Volkswagen e BMW exportam modelos elétricos de fábricas que operam na China, aproveitando os baixos custos de fabricação do país e a cadeia de suprimentos de veículos elétricos bem estabelecida.
A fábrica da Tesla em Xangai produz o sedã Model 3 e o utilitário esportivo Model Y, que são vendidos localmente e no exterior. Os embarques da fábrica diminuíram em comparação anual em sete dos primeiros oito meses de 2025, de acordo com a Associação Chinesa de Carros de Passageiros.
A Volkswagen anunciou no início deste ano planos para expandir as exportações da China para outros mercados asiáticos, América do Sul e Oriente Médio. A empresa já envia para a Europa o SUV elétrico Cupra Tavascan montado localmente. A BMW está produzindo os modelos elétricos Mini Cooper e Aceman na China para a Europa com sua parceira GWM. As empresas alemãs não fizeram comentários imediatos.
Colaboraram Monica Raymunt, Wilfried Eckl-Dorna, William Wilkes, Jamie Nimmo e Albertina Torsoli










