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Dívida está alta porque juros são altos – 30/09/2025 – Políticas e Justiça


Volto a propor mudanças na política econômica brasileira para solucionar os elevados juros governamentais, responsáveis por 95% do déficit nominal de R$ 1 trilhão em 2024.

A dívida líquida do setor público passou de R$ 208 bilhões em 1995 para R$ 7,316 trilhões em 2024, aumento de R$ 7,1 trilhões.

Nesse período, o superávit primário acumulado foi de R$ 1,08 trilhão, indicando que R$ 6 trilhões (85% do crescimento da dívida) decorreram do pagamento de juros reais elevados, e não do financiamento de investimentos e despesas necessárias da União.

Digo “volto” por ser autor do livro “O ovo de Colombo do Plano Real”, de subtítulo “Afinal, como surgiu a URV?”, onde apresento minha versão sobre a criação da URV (Unidade Real de Valor). Relato que a proposta, inexistente no meio acadêmico, constou no meu trabalho “A Indexação Diária Negociada”, de 31 de agosto de 1993, que sugeria um indexador diário atrelado ao dólar (depois foi denominado URV) para alinhar preços e salários e transformá-lo na nova moeda forte. Esta foi a maior inovação do Plano Real, que debelou a hiperinflação sem congelamentos e de forma anunciada.

Meu trabalho foi enviado em 3 de setembro de 1993 para Edmar Bacha, fato narrado na notícia “Técnico sugere o cruzeiro cambial”, publicada na Tribuna da Imprensa em 8 de setembro de 1993, primeira a divulgar a ideia de um indexador atrelado ao câmbio que viraria moeda forte. Na sequência, surgiram notícias de que a equipe econômica adotaria a ideia, inclusive que seria atrelado, segundo Fernando Henrique Cardoso, a uma cesta de moedas estrangeiras, como o Cruzeiro Cambial. Enviei meu trabalho ao então presidente Itamar Franco, ao ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso e sua equipe, além de cerca de 200 entidades e pessoas importantes, recebendo aproximadamente 40 cartas de agradecimento.

O meu atual trabalho diz tudo no seu título: “Redução do déficit nominal brasileiro pela redução dos juros reais, com menores riscos financeiro e cambial e menor inflação inercial”.

Para reduzir os juros reais, defendo reduzir riscos financeiros e cambiais. Quanto ao risco financeiro, proponho trocar operações pré-fixadas por pós-fixadas a um novo indexador: a URF (Unidade Real Financeira), equivalente ao IPCA de 12 meses, incluindo a Selic, que seria determinada mensalmente. Isso reduziria riscos, pois permitiria conhecer o juro real no ato da contratação. Sugiro ainda política cambial de bandas para reduzir a volatilidade das cotações e, assim, o risco cambial, que integra o risco financeiro total. As cotações diárias da banda – centro, máxima e mínima – seriam definidas por outro indexador, a URC (Unidade Real Cambial), que consideraria a URF e o IPC dos EUA e o DES (Direito Especial de Saque, cesta de moedas do FMI). Assim, juros e câmbio estariam atrelados ao IPCA.

Com essas mudanças consolidadas, vislumbro a implantação de um Plano Real II, com nova moeda e manutenção dos dois indicadores, visando reduzir a inflação inercial anual para cerca de 1%. O Plano Real reduziu a inflação inercial de 47% mensal para 5% anual, mas não a extinguiu, mantendo política monetária de juros reais elevados que ampliaram a dívida pública.

O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço “Política e Justiça” da Folha de S. Paulo sugira uma música aos leitores. Nesse texto a escolhida por Claudio Braga De Abreu e Silva foi “Eu te amo”, de Tom Jobim e Chico Buarque.


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Fonte: Folha de São Paulo

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