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EUA: Quem será o próximo presidente do Fed? Veja lista – 30/10/2025 – Mercado


Logo após o Federal Reserve eliminar algumas de suas regras relacionadas ao clima no início deste mês, a reação do diretor Christopher Waller foi curta e direta:

“Que bom que se foram”, declarou em duas palavras o principal candidato interno à sucessão de Jerome Powell.

A franqueza foi exatamente o tipo de postura que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, responsável por liderar a busca pelo próximo presidente do Fed, quer ver no sucessor de Powell.

Com a segunda rodada de entrevistas programada para as próximas semanas, Bessent vem afinando o foco de um processo longo e delicado. Seu objetivo é transformar o banco central em uma instituição mais “enxuta e dura”.

A abordagem de Bessent vai além das medidas já tomadas por Powell, como reduzir padrões ambientais e cortar pessoal. Ele quer que o Fed tenha um papel bem menos ativo na gestão da economia americana e limite as compras em massa de títulos do governo, prática intensificada desde a crise financeira de 2008. Também pretende enxugar a rede de 12 bancos regionais que compõem o sistema do Fed.

O esforço de Bessent para conter o que chama de “expansão indevida de missão” tem “tornado a conversa muito mais palatável para os mercados”, disse Vincent Reinhart, ex-funcionário do Fed e atual economista-chefe da BNY Investments. Segundo ele, a estratégia ajudou a acalmar investidores preocupados com as tentativas da Casa Branca de forçar cortes de juros e demitir autoridades como a diretora Lisa Cook.

Na terça-feira (22), Trump elogiou abertamente Bessent e sua capacidade de “colocar tudo em ordem”, a ponto de sugerir que poderia nomeá-lo presidente do Fed. “Ele acalma os mercados, eu não”, disse Trump. “Às vezes, eu os agito.”

Veja quem são os cinco favoritos ao cargo, escolhidos por Bessent.

Tem experiência acadêmica e no próprio Fed, além de ter servido em ambas as administrações Trump. Atualmente, é chefe do Conselho Econômico Nacional. Embora apareça com frequência em programas de televisão dos EUA defendendo as políticas do governo, tem falado pouco sobre como pretende reformar o Fed. Ainda assim, muitos o veem como o favorito para suceder Powell.

Ex-diretor do Fed com raízes em Wall Street, Warsh perdeu para Powell em 2017 e é visto como favorito desta vez. Sua credibilidade é reforçada por seu papel na Instituição Hoover da Universidade Stanford. Sua postura hawkish (ele criticou a expansão do balanço do Fed) era considerada um ponto negativo, mas um artigo recente assinado por Scott Bessent sinaliza que o Tesouro dos EUA pensa de maneira semelhante.

Funcionário do Fed há mais de uma década, é o favorito dos economistas para o cargo. Embora o diretor nomeado por Trump tenha sido o primeiro banqueiro central americano a pedir cortes este ano, muitos acreditam que seu apoio a uma medida substancial antes das eleições de 2024 contará contra ele. Eles também temem que o presidente dos EUA opte por um candidato mais determinado a revolucionar o Fed.

Outra diretora do Fed nomeada de Trump, Bowman lidera o movimento para flexibilizar os requisitos regulatórios dos bancos americanos, um objetivo claro da atual administração, e apoia os apelos de Bessent por uma atuação mais restrita do Fed. Bowman apoiou os primeiros pedidos de cortes de Waller, embora, como seu colega, tenha votado por medidas muito menos drásticas do que Trump deseja. Sua relativa falta de experiência a tornou uma candidata com poucas chances para o cargo.

Apontado como o candidato azarão, o nome do chefe de investimentos da Blackrock surgiu após impressionar funcionários do Tesouro durante a primeira rodada de entrevistas. Rieder recentemente apontou para a fraca criação de empregos e a inflação estável para justificar cortes mais agressivos nas taxas do Fed antes da reunião de setembro, chamando as baixas taxas de contratação de “a discussão secular dos próximos anos”. Ele foi chefe da equipe de estratégias principais globais do Lehman Brothers, saindo pouco antes do colapso do banco de investimento.

“O que chama atenção é o quanto alguns dos candidatos têm falado em reformular a estrutura de governança do Fed e transformá-lo em uma instituição menor e menos ativa”, disse Aditi Sahasrabuddhe, pesquisadora da Universidade Brown. “Bessent parece ter levado a discussão além do discurso de Trump por juros baixos, concentrando-se em como o Fed executa sua função.”

O Tesouro pretende entregar a Trump uma lista de finalistas entre o feriado de Ação de Graças e o Natal. A última reunião do ano sobre política monetária está marcada para 10 de dezembro, o que significa que dois dos principais nomes, Christopher Waller e Michelle Bowman, poderão votar nas taxas de juros sem saber se continuarão no cargo.

Trump e Bessent consideram que os juros atuais estão muito altos. Internamente, Waller e Bowman têm defendido cortes, embora em ritmo mais lento do que o desejado pela Casa Branca. Ambos também vêm tomando medidas alinhadas à agenda econômica do presidente e concordam que o Fed deve reduzir sua influência sobre os mercados financeiros.

Bowman vem afrouxando exigências regulatórias para os bancos americanos, com mudanças de regras que, segundo a consultoria Alvarez & Marsal, liberaram US$ 2,6 trilhões em capacidade de crédito.

Embora a vice-presidente tenha assegurado aos reguladores internacionais que o Fed cumprirá as chamadas regras globais de capital de Basileia, a instituição tem recuado de iniciativas conjuntas em áreas como a climática.

Waller, por sua vez, não acredita que o Fed deva reduzir radicalmente seu balanço, movimento que Bessent chegou a defender, mas do qual se afastou recentemente. Desde 2023, Waller é conhecido dentro da inpor tentar cortar recursos dos bancos regionais do Fed, centralizando operações em Washington e eliminando cerca de 350 cargos.

Alguns dos candidatos compartilham a visão de Bessent de que o “quantitative easing” (mecanismo em que o Fed compra ativos como títulos para injetar liquidez na economia em tempos de crise) deve ser reservado a momentos excepcionais e não fazer parte da política monetária regular.

Medidas como essa transformaram cada pronunciamento de dirigentes do banco em eventos de alto impacto nos mercados. Parte dos candidatos defende que os integrantes do Fed falem menos, façam menos coletivas de imprensa e reduzam o número de reuniões anuais (atualmente são oito).

Kevin Warsh, ex-diretor do Fed e um crítico frequente da instituição, compartilha boa parte dessas preocupações. Ele argumenta que o mecanismo expandiu demais o balanço do banco e embaralhou as fronteiras entre as funções do Fed e as da política fiscal.

Warsh, que agrada a Trump por seu perfil telegênico, causou espanto entre economistas e ex-dirigentes ao sugerir que seria possível reduzir simultaneamente o balanço do Fed e as taxas de juros, uma medida que, na prática, apertaria e afrouxaria as condições monetárias ao mesmo tempo.

Rick Rieder, diretor de investimentos globais da BlackRock e nome-surpresa da primeira rodada, tem falado menos sobre como reformaria o banco central. Mas, como Bessent e outros membros do governo, Rieder também defende cortes agressivos de juros sem, contudo, demonstrar pessimismo com a economia. Neste mês, ele disse esperar forte crescimento no terceiro trimestre impulsionado pelo boom das ações ligadas à inteligência artificial.

O candidato que menos detalhou sua visão para o Fed é justamente quem muitos consideram favorito: Kevin Hassett, chefe do Conselho Econômico Nacional.

Hassett, porém, possui uma qualidade que pode pesar mais para Trump do que qualquer política de balanço: lealdade.

“Não sei até que ponto o que importa para o Tesouro importa também para a Casa Branca”, disse Vincent Reinhart, ex-dirigente do Fed. “Parece um processo organizado, mas é provável que não pareça tanto assim quando chegar ao Salão Oval.



Fonte: Folha de São Paulo

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